RELANÇADA A BROCHURA "CRÔNICAS DE UMA ELEIÇÃO ANUNCIADA" SOBRE A DISPUTA PRESIDENCIAL DE 2010
A Publicação "Crônicas de uma eleição anunciada" acompanha as
principais polêmicas travadas com as diversas variantes do revisionismo,
abrigadas dentro e fora do PT. Enquanto prognosticávamos, já em meados de 2009,
que Dilma era a candidata preferencial da burguesia e do imperialismo,
justamente porque a frente popular havia conseguido manter a estabilidade do
país antes, durante e depois do ápice do crash capitalista
"CRÔNICAS DE UMA ELEIÇÃO ANUNCIADA"
Para os marxistas revolucionários traçar prognósticos
corretos a fim de possibilitar uma intervenção justa na luta de classes se
constitui um valioso patrimônio político e teórico. Não se trata
"apenas" de "arriscar" uma previsão política, algo, diga-se
de passagem, que se recusaram a fazer inúmeras correntes que se reivindicam
"trotskistas" durante a disputa eleitoral no Brasil. Esse
"exercício" militante reside, acima de tudo, na capacidade de estudar
a realidade nacional e internacional para apontar dentro de nossas modestas
possibilidades como a vanguarda política deve enfrentar, preservando sua
independência de classe, uma conjuntura complexa como a realidade brasileira,
marcada pela existência da frente popular encabeçada por Lula, o PT e a CUT,
sem dúvida alguma um eficaz instrumento da colaboração de classe que controla o
governo central e o movimento de massas. "Crônicas de uma eleição
anunciada", o livro que a LBI lança neste momento com o objetivo de fazer
um balanço, passo a passo, da disputa presidencial que acaba de findar-se com o
triunfo da candidata Dilma Rousseff se insere perfeitamente no marco da
perspectiva política leninista.
A coletânea de artigos que oferecemos aos nossos leitores e
simpatizantes traz textos publicados no Jornal Luta Operária e no sítio da LBI
desde agosto de 2009 até os nossos dias, particularmente até o balanço do
segundo turno das eleições presidenciais. Aqui se pontua retrospectivamente o
momento político em que Lula lança a campanha pré-eleitoral da frente popular
colada ao mito "nacionalista" da descoberta do "pré-sal",
apresentando Dilma como sua candidata antes mesmo do Congresso Nacional do PT
oficializar a escolha do partido, sob o silêncio sepulcral da chamada
"esquerda petista". Com o embuste na nova campanha do ?petróleo é
nosso? Lula deu à frente popular o eixo programático que marcou todo o embate
com a ?oposição conservadora? sobre as privatizações.
No mesmo período, analisamos o lançamento de Marina Silva
pelo PV como uma manobra da própria frente popular para tirar votos de Serra,
em uma caracterização completamente oposta a do conjunto da esquerda
revisionista. A votação do tucano no primeiro turno, bem menor do que alcançada
por Alckmin em 2006 no mesmo período provaram que a "operação verde"
estava montada a serviço da frente popular. Vários artigos reproduzidos aqui
abordaram esse novo fenômeno político e sua importância para o próximo período,
inclusive seus efeitos sobre a própria crise que vive o PSOL hoje.
"Crônicas de uma eleição anunciada" acompanha as
principais polêmicas travadas com as diversas variantes do revisionismo,
abrigadas dentro e fora do PT. Enquanto prognosticávamos, já em meados de 2009,
que Dilma era a candidata preferencial da burguesia e do imperialismo,
justamente porque a frente popular havia conseguido manter a estabilidade do
país antes, durante e depois do ápice do crash capitalista no segundo semestre
de 2008, o PSTU alardeava justamente o contrário, que havia um profundo
desgaste no projeto governista, realidade que supostamente se aprofundaria com
a crise econômica mundial, tanto que para os morenistas Lula não conseguiria
operar a transmissão de votos para Dilma. Os resultados eleitorais falam por si
só...
Mas os revisionistas evoluíram da conveniente
"aposta" de que "o resultado do segundo turno está completamente
aberto" como fazia o PSTU poucos dias após o 03 de outubro, ou mesmo da
análise contemplativa da LER e da TPOR que "explicavam" a obviedade
que não havia mal menor no segundo turno entre Dilma ou Serra porque a
burguesia estava representada por ambas as candidaturas, para delírios
perigosos, como os proferidos pelo PCO. Este bradava não "só" que
Serra era o candidato oficial do imperialismo e da burguesia mundial, mas
"denunciava" que a classe dominante tupiniquim (grande imprensa,
judiciário, grupos econômicos) estava orquestrando um ilusório "golpe
eleitoral" contra Dilma Rousseff para impor a vitória tucana! Como tudo
não passava de um delírio, tal colocação era uma espécie de apoio envergonhado
do PCO à frente popular, produto da pressão pró-Dilma sobre a vanguarda que
arrastou importantes setores da classe ante a polarização política do segundo
turno. Esse mesmo arco catastrofista já alardeia que o governo Dilma será
frágil, instável com um cenário pós-Lula de crise e radicalização da luta de
classes, quando a perspectiva aberta com a vitória da frente popular no campo
parlamentar e através do aprofundamento do controle das direções sindicais
aponta no sentido inverso.
Outro diferencial da análise marxista presente em
"Crônicas..." é a caracterização do próprio processo eleitoral como
uma farsa montada pela classe dominante que escolhe o vencedor e
"profere" o resultado que lhe convém, como bem sintetizou o título do
artigo "Referendou-se o deliberado" lançado poucas horas depois do
anúncio da vitória de Dilma Rousseff no segundo turno. Alertamos aos nossos
leitores e simpatizantes que não estamos falando somente da fraude midiática
até "denunciada" pela esquerda revisionista, com suas lamúrias acerca
da falta de espaço nos noticiários da grande imprensa ou das pesquisas
"fabricadas", apenas a ponta desse imenso iceberg. Estamos nos
referindo a uma fraude global, operada pela totalização dos dados provenientes
das urnas eletrônicas, mais conhecidas como "robotrônicas", que não
podem ser auditadas pelo simples fato que não existe a comprovação física do
voto. Esta denúncia militante realizada quase como voz solitária durante toda a
campanha presidencial coloca a nu em sua plenitude a farsa eleitoral e toda a
podridão da engrenagem desse regime democratizante que decide os que assumirão
a gerência dos negócios à frente do Estado burguês de forma cada vez mais
independente e, mesmo contrário, do pretenso resultado soberano do sufrágio
popular.
Por fim, ao publicar esse livro, entendemos ser esta modesta
contribuição um esforço de nossa corrente em auxiliar os lutadores a ter uma
correta compreensão da difícil etapa por que atravessamos assim como
reafirmamos a necessidade da adoção de um programa revolucionário que possa
conduzir o proletariado à superação política da frente popular e melhor armá-lo
teoricamente para erguer um genuíno partido marxista-leninista, para nós um
instrumento fundamental de combate pela conquista do poder político pelos
trabalhadores.
