quarta-feira, 27 de novembro de 2019


LANÇAMENTO DO LIVRO BOLÍVIA ‘ROJO VIVO’ EM CONJUNTO COM A POLÊMICA BIOGRAFIA SOBRE RAUL SEIXAS DE JOTABÊ MEDEIROS: DUAS IMPORTANTES INICIATIVAS EDITORIAIS NA TRINCHEIRA DA RESISTÊNCIA POLÍTICA E CULTURAL  
  


Acaba de ser lançado no Restaurante Cantinho do Frango, tradicional reduto político-cultural da intelectualidade de esquerda do Ceará, o livro “Bolívia em ‘Rojo Vivo”. Essa iniciativa da Editora Nova Antídoto registra o passo a passo do golpe de estado contra o governo Evo Morales. Condensando uma coletânea de artigos do BLOG da LBI, o livro aborda detalhadamente o papel do imperialismo ianque no putsch que derrubou o governo de Frente Popular, uma gestão da centro-esquerda burguesa que se mostrou completamente impotente para enfrentar a ofensiva reacionária da direita fascista. Esse importante livro, aborda também a intervenção da esquerda trotskista durante os dias fatais que levaram a vitória da ação golpista tramada pela OEA, denunciando inclusive a política do POR boliviano que se somou as marchas da direita contra o governo Evo, comemorando sua queda como uma vitória dos trabalhadores.


  
Junto com esta atividade político-cultural da Editora Nova Antídoto, tivemos também o lançamento da biografia de Raul Seixas “Não diga que a canção está perdida” escrita por Jotabê Medeiros, editor cultural da revista Carta Capital. O autor levou quase dois anos para elaborar a obra, baseada em 70 entrevistas e nos diários do próprio Raul, cujos registros foram feitos em 1988, quando o cantor ainda estava vivo. Esta obra abriu a polêmica sobre a suposta delação que Raul Seixas fez no DOPS, acusando Paulo Coelho de “colaborar com esquerda”. O fato de duas obras serem lançadas conjuntamente revelam o esforço em jogar luz do ponto de vista político e artístico de como ocorreu a queda dos governos de frente popular na Bolívia e no Brasil em diferentes épocas históricas, revelando também o papel da repressão política na perseguição a militância de esquerda em todas as arenas da atividade militante e cultural.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

LEIA A APRESENTAÇÃO DO LIVRO BOLÍVIA EM 'ROJO VIVO'




A IMPOTÊNCIA CRÔNICA E HISTÓRICA DA BURGUESIA NACIONALISTA DE ENFRENTAR A ATUAL OFENSIVA IMPERIALISTA 
EM NOSSO CONTINENTE 

A colossal experiência da Revolução Socialista Russa de 1917, dirigida pelo Partido Bolchevique, demonstrou a “ferro e fogo” para os Marxistas de todo o mundo que a burguesia nacional é historicamente incapaz de levar adiante a resolução das tarefas democráticas, agrárias e anti-imperialistas que exigem a ação de um novo sujeito revolucionário, e que em face da ameaça que representa o proletariado desenvolver seu próprio projeto de nação, a burguesia diante do perigo de ser ultrapassada historicamente, alia-se à contrarrevolução golpista e abandona completamente o programa “democrático, nacional e popular” que antes orgulhava-se em esgrimir para as massas. Esta lição, abstraída em forma de programa foi elaborada na teoria da Revolução Permanente por Leon Trotsky e comprovada por todos os acontecimentos posteriores ao longo da luta de classes em todo o planeta. Os governos do tipo nacionalistas burgueses dos países semi-coloniais, que ascenderam ao controle do regime político fruto da crise capitalista, são descritos por Trotsky como possuindo um caráter bonapartista particular, ou seja, próprio da condição de sua classe dominante que, ao mesmo tempo em que subjuga o proletariado, está subordinada a ela mesma e subjugada à classe dominante dos países imperialistas. Em particular na América Latina, tanto o nacionalismo da década de 30, como as diversas manifestações do período posterior à Segunda Guerra Mundial, seguiram de maneira precisa o mesmo roteiro de capitulação ao imperialismo e seus agentes locais, cuja conclusão foram a instauração dos regimes militares dos anos 60 e 70 em quase todo continente. Mais de duas décadas da implantação de uma política econômica dita neoliberal, que se defrontou com crescente resistência das massas, provocou uma ruptura no interior do bloco burguês tradicional gerando a “ressurreição” do nacionalismo burguês com uma dose maior demagógica de “esquerda e socialista”, como foi o caso do PT brasileiro, somada a uma intensidade de moderação no enfrentamento político com o imperialismo.