quinta-feira, 15 de julho de 2010

"TROTSKISMO VERSUS REVISIONISMO", UM LIVRO QUE ABORDA POLÊMICAS ENTRES CORRENTES QUE SE REIVINDICAM MARXISTAS REVOLUCIONÁRIAS, UMA OBRA DA EDITORA NOVA ANTÍDOTO E DAS PUBLICAÇÕES LBI

Coletânea de artigos abordando as polêmicas teóricas e programáticas no interior do chamado movimento trotskista internacional e suas diversas correntes políticas que reivindicam a IV Internacional

Trotskismo versus Revisionismo

Polêmica da LBI com o POR boliviano e a TPOR brasileira



Apresentação
Afinal, com quem é a Frente Antiimperialista?
A contra-revolução na Rússia e a política suicida do centrismo
Um desafio à LBI (Artigo da TPOR)
Mais uma vez os centristas fogem da crítica marxista
Greves nas Polícias...Oportunismo deslavado da esquerda
A cortina de fumaça da seita lorista no Brasil
A LBI se defende com mais difamação... (Artigo da TPOR)
Calúnia, falsificação e oportunismo são o abc da seita lorista no Brasil
Resposta obrigatória às camarilhas... (Artigo do POR)
Resposta a uma fraude chamada Guillermo Lora


Apresentação

Lamentavelmente, é bastante comum o hábito entre a vanguarda política de considerar o estabelecimento de polêmicas políticas e programáticas entre correntes que se reivindicam revolucionárias como simplesmente uma política vulgar de "queimação". Esta conduta, por parte de alguns militantes honestos, pode ser compreendida (mas não justificada) como uma reação, ainda que despolitizada, a um desejo de unidade a "qualquer preço" entre as forças marxistas. As direções aparatistas das correntes que se reivindicam trotskistas, desonestamente, estimulam este mesmo sentimento de preconceito diante das polêmicas programáticas ocorridas no seio da esquerda. A razão é óbvia, procuram proteger-se, a seu modo, da ácida crítica marxiana a suas condutas de revisionismo e oportunismo deslavado.

A LBI não "elegeu" a polêmica programática contra as correntes revisionistas do trotskismo apenas como forma de se "destacar" no pântano da despolitização e do economicismo que impera no movimento de massas nacional e internacional. Na verdade, a própria gênese do marxismo-leninismo-trotskismo foi forjada no curso de duras polêmicas contra o anarquismo, a social-democracia e o stalinismo. O velho Trotsky não fincou sua elaboração teórica tendo como centro a crítica ao stalinismo, simplesmente como forma de "aparecer" melhor no cenário internacional, pululado de "críticos do stalinismo". A própria ciência do marxismo impunha naquele momento a elaboração da negação teórica do stalinismo, como forma de preservar suas bases revolucionárias, diante da sífilis que se instalou no Estado operário soviético.

A atual etapa da luta de classes mundial obriga que a tarefa inicial para a reconstrução do partido fundado por Trotsky, a Quarta Internacional, seja a limpeza teórica e política de toda a "sujeira" deixada ao longo da história pelas correntes pseudotrotskistas. Delimitando os campos entre revolução e contra-revolução (como foi o caso da queda da URSS, por exemplo), entre programa trotskista e plataforma revisionista é que será possível dar início à gigantesca tarefa de reconstruir o Partido Mundial da Revolução Socialista, destruído e fragmentado por charlatães de todo calibre, como Mandel, Moreno, Healy, Lambert e Lora, entre outros.

Com este folheto, a LBI dedica-se a combater um dos braços deste revisionismo que destruiu a Quarta Internacional. O oportunismo do POR boliviano, dirigido por Guillermo Lora, foi responsável pelas maiores derrotas do heróico proletariado do país altiplano, ou seja, os fracassos da revolução de 52 e 71. Felizmente, hoje, o POR boliviano não tem mais nenhuma influência de massas (seus satélites nunca a tiveram). A seita lorista está reduzida na Bolívia a uma intervenção puramente sindical e seu satélite brasileiro nem a isso chega. Porém, o peso da crítica marxista revolucionária não deve medir-se pelo tamanho do grupo revisionista, mas sim pela função que representa seu programa oportunista junto às novas fileiras do proletariado e sua vanguarda classista.

E sem dúvida os desvios nacionalistas e a concepção menchevique de partido do POR estão presentes, em maior ou menor grau, na maioria das organizações que ainda se reclamam herdeiras do trotskismo. Daí a necessidade da demolição programática e histórica da fracassada tentativa de fundir marxismo e nacionalismo (sob a maquiagem de considerar os aspectos peculiares de cada país) da qual enveredou o revisionista Guillermo Lora e seus poucos seguidores.

Para que nossos leitores e simpatizantes possam estabelecer sua própria avaliação política, resolvemos por publicar, nesta coletânea, tanto os textos polêmicos da LBI contra o POR, assim como do POR contra a LBI, para que desta forma, límpida, possa emergir com maior vigor a justeza de um verdadeiro programa revolucionário.

Os editores

Julho/99

Afinal, com quem é a Frente Antiimperialista?*

* Artigo extraído do Jornal Luta Operária n. 06 (dezembro/95)

Para os marxistas, a causa dos desvios políticos apresentados pelos partidos e grupos que se reivindicam do movimento operário correspondem a pressões de classes hostis ao proletariado, e estão contidas nas raízes teóricas de suas políticas. Nesta edição, Luta Operária polemiza com a tática da Frente Revolucionária Antiimperialista (FRA) defendida pela corrente TPOR, como o eixo central da política dos revolucionários nos países semicoloniais.

A TPOR "convoca todas as forças que se reivindicam da defesa das massas e da independência nacional a trabalharem pela Frente Antiimperialista para derrotar a estratégia neoliberal do govemo e avançar a luta pela revolução proletária" (Três linhas para a crise, p.09). Assim como os estalinistas, que justificam suas alianças e sua política de conciliação de classes sob o rótulo da defesa da "soberania nacional", a TPOR apresenta a sua tática para derrotar a "estratégia neoliberal", agrupando "todas as forças que se reivindicam da defesa das massas", incluindo alianças com frações nacionalistas da burguesia "não imperialista". Os "poristas" aderiram ao modismo do combate ao "neoliberalismo", criado pela esquerda centrista mundial, para dar uma conotação ideológica à sua política de colaboração de classes após a queda dos estados operários do leste de conjunto. Elegendo como inimigo número 1 o projeto neoliberal, fica fácil encontrar aliados burgueses com outros projetos. Assim, o PT justifica as alianças com capitalistas do "campo democrático e popular" em defesa de um projeto desenvolvimentista oposto ao neoliberalismo recessivo. Como cada um pode eleger o seu parceiro burguês para enfrentar o vilão neoliberal, e sonhar não custa nada, a TPOR utiliza esta justificativa para defender alianças com frações da burguesia antiimperialista. Trata-se de uma nostalgia incutida por Lora nos "poristas" brasileiros de ressuscitar o nacionalismo burguês de meio século atrás. Mas, uma frente política não é formada por classes em abstrato, é composta por partidos ou agrupamentos políticos concretos. Então, quem seriam os componentes da FRA no Brasil? Obviamente os cadáveres ambulantes do Andrade Serpa, que encabeça um movimento dirigido por setores do alto comando das FFAA chamado "Frente pela Soberania Nacional", dentre outras frações caducas da burguesia que praguejam contra os ataques do imperialismo às suas condições de existência.

Atestando sua inocência, a TPOR declara: "de nossa parte, rechaçamos a tática manobrista da Frente Popular" (Três respostas..., p.10). Mas, ao passo que critica o manobrismo da Frente Popular petista, a TPOR envereda por uma manobra ainda mais traiçoeira à luta pela independência política da classe operária, sustentando ilusões de uma frente popular onde a burguesia daria provas de bom comportamento, prometendo submeter-se ao programa do proletariado. A FRA seria "‘oposta’ a Frente Popular lulista e sua ‘tática manobrista’ por que todos os seus componentes se comprometem a subordinar-se à estratégia da ditadura do proletariado e aos métodos próprios da revolução da classe operária" (Resposta ao impostor Nahuel Moreno, p.46).

A frente popular é o último recurso da burguesia diante da conquista do poder pelo proletariado que, por isso, os capitalistas apostarão todas as suas fichas a fim de ganhar tempo e se armar para conter as massas insurgentes, o que significa, inclusive, fazer promessas políticas para garantir a manutenção da frente popular. Os manobristas da TPOR se acham muito mais espertos do que os do lulismo, e acabam caindo também no canto de sereia da burguesia. Vejamos o que Trotsky diz sobre as "manobras" de Bukarin, que pensava estar enganando a burguesia chinesa: "seremos nós que vamos lhes impor estas condições? Exigimos publicamente que façam uma promessa? A BURGUESIA FARÁ O QUE QUISER. Enviará, inclusive, delegados a Moscou, se filiará a Intemacional Camponesa, se juntará como simpatizante da Internacional Comunista, se voltará à Internacional Sindical Vermelha. Em uma palavra, prometerá tudo aquilo que lhe permitirem, com nossa ajuda, enganará melhor, mais facilmente e mais completamente aos operários e camponeses, enchendo de terra em seus olhos como já ocorreu em Xangai. Por acaso, para a burguesia não se trata de fazer promessas imediatamente nesta ocasião, assegurando-se desta forma nosso aval frente as massas operárias? (...) Desgraçadamente a experiência mais recente foi que os espertos transformam-se em imbecis" (A III Interncional depois de Lénin).

Acerca do programa da FRA os poristas afirmam que só será possível barrar a reforma neoliberal de FHC unificando as massas em torno de um programa anti-imperialista. O chamado à construção da frente antiimperialista, já reivindicada fervorosamente pelo O Trabalho e por Causa 0perária, com um programa e um organismo comum, unindo "todos aqueles que se reivindicam em defesa das massas", fantasiado de uma verborragia esquerdista, é a forma envergonhada do lorismo defender a frente popular. Desde o início do século, o trotskismo vem combatendo a política da frente popular em todas as suas matizes como uma política que leva o movimento operário para um beco sem saída e para as mais sangrentas derrotas da história. A política da TPOR é oposta ao bolchevismo. "Nem ‘programas comuns’, nem organismos permanentes, nem renúncia a criticar os aliados circunstanciais. Estes tipos de acordos e compromissos episódicos, estritamente limitados a objetivos precisos — os únicos que Lenin tomava em consideração — nada tinham em comum com as Frentes Populares, que representam um conglomerado de organizações heterogêneas, uma aliança duradoura de classes diferentes ligadas para todo um período — e que período — por uma política e um programa comum: por uma política de ostentação, de declamação e de poeira nos olhos(...).

A regra do bolchevismo, no que se refere a blocos, era a seguinte: MARCHAR SEPARADOS, GOLPEAR JUNTOS! A regra dos atuais chefes da Internacional Comunista é marchar juntos para ser derrotados separadamente. Que esses senhores se aferrem a Stalin e Dimitrov, mas que deixem Lenin em paz" (Aonde vai a França).

A FRA da TPOR não passa de uma frente popular que os poristas mudaram de nome, já que "Trotsky não fala da frente antiimperialista, mas da frente popular estalinista e a repudia" (Resposta ao impostor..., p. 46). Os que ainda levantam dúvidas sobre o caráter frente-populista da FRA tem na aplicação concreta desta tática pelo POR boliviano uma prova irrefutável, a qual Lora reivindica orgulhosamente proclamando que "deve-se agradecer ao POR a reivindicação da tática da frente antiimperialista, partido que soube levá-la à prática de modo conseqüente" (Idem). Vejamos:

A Frente Antiimperialista na prática

O POR de Lora tem se caracterizado como um partido centrista que ora adota posições ultra-esquerdistas, ora frente-populistas. Em 1952, Paz Estensoro do MNR (partido nacionalista burguês) vence as eleições, mas é impedido de governar pela Junta Militar que toma o poder. O golpe provoca uma rebelião de massas, liderada por operários mineiros, que deixa em frangalhos o velho exército e a polícia, sufocando assim, os golpistas. Diante da possibilidade das massas tomarem o poder, o partido trotskista deveria chamar a COB a romper com o MNR (emblocar-se com este apenas na defesa militar contra ameaça de golpe reacionário) e tomar as fazendas, as minas e o poder, evoluindo à formação de um Governo Operário e Camponês. Ao contrário, o POR, juntamente com toda a esquerda, chama as massas a se subordinarem a ala esquerda do novo gabinete formado pelo bloco Estensoro-Lechin, defende a inclusão de "ministros operários" no governo burguês, além de reivindicar a autoria dos discursos do ministro Lechin. Fazendo um balanço deste período, Lora culpa os operários por não terem tomado o poder devido à sua "imaturidade".

Esta política foi muito útil para o governo de Estensoro, que contando com o apoio da esquerda, desarmou o movimento de massas e, por dois mandatos, iludiu os explorados tempo suficiente para reconstruir, com a ajuda do imperialismo, o carniceiro exército boliviano.

Reorganizado e fortalecido graças a política de colaboração de classes entre a COB, o POR e demais partidos centristas com o governo Estensoro, o Exército promove um golpe reacionário substituindo este governo civil por uma Junta Militar em 1964. Em 66 é formada uma frente ampla de oposição denominada de "‘Conselho Democrático do Povo’, CODEP, integrada por todos os partidos de oposição desde o MNR até o POR, uma típica frente popular saudada por Lora como uma força inconfundivelmente reacionária" (Massas, Nº. 312).

Em outubro de 1970, diante de uma nova radicalização grevista, Lora faz uma frente com o PCB estalinista, reivindicando uma "Frente Popular Anti-imperialista", chamando a "instaurar um Governo Popular e Antiimperialista". Aumenta a polarização social: a Greve Geral de um lado e o golpe militar de outro. Assume o poder através de um contragolpe o general Torres, considerado pelo TPOR como um "nacionalista de esquerda" sob a seguinte justificativa: "em certos momentos, os nacionalistas com dragonas (adornos militares) se convertem em aliados da classe operária e não em seus inimigos jurados" (Da Assembléia Popular ao Golpe fascista, G. Lora, p. 82). Pela falta de uma política revolucionária que transformasse os poderosos comitês grevistas que desarmaram o golpe militar de outubro, e resistiram bravamente ao de janeiro/71 em Sovietes de Operários, Camponeses e Soldados, as massas insurgentes foram acaudilhadas pela política "antiimperialista" do General Torres. Durante o Gov. de Torres, o chefe do Exército foi o Gal. Requen Teràn, comandante da operação em que o Exército boliviano caçou e assassinou Ernesto Che Guevara a serviço da CIA.

A revolta popular é capitalizada pela formação de uma Assembléia Popular que agrupa os partidos de esquerda, a COB, Federações Sindicais Camponesas e Universitárias e têm à cabeça Lechin, que opõe-se a dotá-la de milícias de autodefesa transformando-a num verdadeiro soviete de operários e camponeses. O POR faz uma campanha ilusionista de que Torres irá armar as massas insurgentes contra o golpe militar, os explorados ficam desarmados e desorganizados diante da terrível ameaça que se avizinha.

Vencem os golpistas. O gal. Torres foi derrubado e o Cel. Barrentos assume o poder, decretando estado de sítio. O POR chama a construção de uma nova FRA com o Gal Torres, Lechin, PCB, PRIN etc, "por um Governo do Povo contra o governo fascista, a serviço do imperialismo e dos antipátria" (Massas No. 403, fim), enquanto a rebelião operada é afogada em sangue. A este golpe seguem-se vários outros golpes reacionários. As FFAA assumem o controle da situação, os partidos de esquerda e os sindicatos são considerados ilegais, os líderes operários são violentamente perseguidos.

Superando o refluxo das derrotas anteriores em março de 1985, 12 mil grevistas tomaram as ruas de La Paz, o movimento se alastrou por todo o país, a Bolívia foi sacudida por uma crise revolucionária, abrindo uma etapa de dualidade de poder (ver LO, N.0). Nova traição, desta vez, sob o viés da auto-proclamação ufanista: Lora caracterizou que o POR era a "direção real das massas e que as condições subjetivas estavam maduras para a tomada do poder" (embora a influência do POR estivesse reduzida a uma intervenção estudantil), e pior, apostou profundamente na "via eleitoral" para o poder, candidatou irresponsavelmente todo o partido e obteve uma fragorosa derrota nas umas, passando, a partir de então, a ter uma conduta antiparlamentarista e anarquista diante de todas as eleições.

Paz Estensoro elege-se presidente e logo de cara enfrenta uma greve geral que paralisa o país por 15 dias contra suas medidas pró-imperialistas. A insurreição é duramente reprimida e os líderes sindicais presos. Em julho de 86, tropas americanas intervêm no país para reprimir os camponeses cocaleiros, nova paralisação nacional. Estensoro decreta estado de sítio e prende mais de 200 pessoas que só são libertadas por outra greve geral em agosto.

Por fim, uma frente popular com as FFAA

Por último, diante da Greve Geral dos professores e camponeses, em maio deste ano, em que a direção da COB (aliança entre a velha burocracia lechista e os estalinistas) apostou no isolamento da mobilização através de uma saída negociada com o Governo Goni, Lora não fez mais do que agitar delírios ufanistas de que o seu partido estava às vésperas de tomar o poder e que era preciso reconstruir a FRA! A negativa do POR de travar qualquer batalha para construir uma nova direção frente à traição da direção da COB e seus amigos aliados aprofundou, não só o caráter de seita messiânica deste agrupamento centrista, como também sua orientação frente populista. Enquanto os professores e camponeses são aprisionados e torturados pelas FFAA no interior da Bolívia, o POR além de não pronunciar uma única crítica aos gorilas nacionalistas, também diz impulsionar a frente revolucionária anti-imperialista com setores do alto comando do Exército de Goni, "Viva o Rojo". Por fim, a adaptação ao frente-populismo evolui do oportunismo à política criminosa dos que reivindicam que "uma frente antiimperialista pode englobar a polícia em seu conjunto, como instituição e não unicamente a uma facção antifascista"!!! (Resposta ao impostor... p.48). Neste ponto, a política frente-populista "porista" não só extrapolou os limites de classe, abrindo caminho para a contra-revolução fascista, como diria Trotsky, mas chama a própria contra-revolução, o exército e a polícia, assassinos históricos de mineiros, camponeses, e demais explorados bolivianos a ingressar na FRA.

A política centrista do POR só conduziu o combativo proletariado boliviano a sangrentas derrotas, em nome do trotskismo! O lorismo, apesar de utilizar-se freqüentemente de uma fraseologia de esquerda, é avesso ao marxismo. Nas teses da Revolução Permanente, Trotsky não paira nenhuma dúvida sobre as alianças e a tática dos revolucionários da IV Internacional: "quaisquer que sejam as primeiras etapas episódicas da revolução nos diferentes países, a aliança revolucionária do proletariado com os camponeses só é concebível sob a direção política da vanguarda proletária organizada como partido comunista (...). Essa aliança das duas classes, porém, só se realizará numa luta impecável contra a influência da burguesia nacional-liberal" (Que é, afinal, a revolução permanente?). A TPOR, longe de ter qualquer influência de massas, como já teve o POR boliviano, não passa de uma réplica estéril do lorismo. Fiéis ao legado do fundador da lV Internacional e ao bolchevismo, aconselhamos a estes senhores para que se aferrem a Stalin, aos Torres, aos Lechin’s, mas que deixem Trotsky em paz!



A contra-revolução na Rússia e a política suicida do centrismo*

* Artigo extraído do Jornal Luta Operária n. 07 (janeiro/96)

"Evidentemente, nossa perspectiva não exclui a trágica possibilidade de que o primeiro estado operário, debilitado por sua burocracia, venha a cair sob os golpes mancomunados de seus inimigos internos e externos. Mas, se isto ocorrer, a pior das variantes possíveis, adquirirá enorme importância para o curso posterior da luta revolucionária, perguntar quem seriam os culpados da catástrofe. Sobre os internacionalistas revolucionários não deve cair nem sombra de culpa. Na hora do perigo mortal terão que resistir até a última das trincheiras".

(A natureza de classe da URSS, León Trotsky)

Os processos contra-revolucionários nos antigos estados operários sob o comando de grupos restauracionistas trouxeram conseqüências terríveis contra o proletariado mundial. A captura pelo capitalismo dos países onde os trabalhadores haviam expropriado a burguesia sacudiu as correntes que se reivindicam do marxismo em todo o planeta. Nesta edição, Luta Operária dá continuidade à polêmica com o programa da TPOR acerca da questão Russa e da defesa dos Estados Operários.

Assim como no passado, provocando o fracionamento da II Internacional, dando origem à III e, dentro da própria seção americana, da IV Internacional, a questão russa é um divisor de águas para as correntes que se reivindicam revolucionárias. Entre os que estão pela defesa das conquistas materiais da revolução proletária e os que, em nome do combate à burocracia estalinista, abraçaram a defesa das "liberdades democráticas" capitalistas, ou seja, a ditadura da burguesia sobre os explorados.

Em agosto de 1991, Yeltsin comandou um setor que havia rompido com o aparato estatal do PCUS, se alçou à condição de representante direto do imperialismo e venceu, com a ajuda da burguesia mundial, o golpe de estado liderado pelos burocratas estalinistas do Comitê de Emergência. Os restauracionistas tomaram o poder na URSS, instaurando um governo capitalista, disposto a destruir as antigas bases sociais do Estado Operário, privatizar a economia estatizada e a restaurar o capitalismo na região, transformando a antiga URSS numa semi-colônia do imperialismo. Diante deste acontecimento, a grande maioria da esquerda mundial, incluindo os pseudo-trotskistas (OT, PSTU, CO) saudaram a contra-revolução de Yeltsin como uma "revolução democrática" (PSTU) ou um "acontecimento revolucionário" (CO), engrossando as fileiras do imperialismo e da social-democracia contra o estado operário. A TPOR não foge à regra.

Ainda que alguns militantes da TPOR cheguem a afirmar oralmente que sua corrente jamais esteve ao lado da restauração capitalista na Rússia, como o altamirismo e o morenismo que se opuseram à defesa incondicional do estado operário soviético, as caracterizações dos loristas em suas publicações provam justamente o contrário.

Guillermo Lora, dirigente do POR boliviano e do Comitê de Enlace do qual a TPOR faz parte, não conseguiu enxergar um palmo na frente do nariz. O XXXIII Congresso do POR aplaudiu a queda da URSS porque esta impulsionava o debacle da esquerda tradicional boliviana, em particular do PC altiplano.

O nacionalismo de Lora o impede de verificar que a queda dos estados operários representou uma derrota para o proletariado mundial e a perda de posições importantes em uma ampla região do planeta, fortalecendo o imperialismo, não só para avançar na destruição das condições de vida dos trabalhadores daquelas regiões, retomando o que lhe foi expropriado, como também investindo contra os mínimos direitos sociais conquistados pelos trabalhadores nos países capitalistas. A desmoralização e o retrocesso ideológico de um amplo setor da vanguarda não só na Bolívia, mas em toda a esquerda, não por um ascenso revolucionário mundial, mas em decorrência de uma ofensiva ideológica imperialista, não deve ser motivo de nenhuma comemoração. O próprio partido de Lora sofreu baixas importantes no último período. O que o lorismo tem a comemorar? Somos obrigados a concordar integralmente com Lora quando afirma que "a militância porista se distingue por sua baixíssima formação nos problemas internacionais ao redor da história do estalinismo e inclusive do trotskismo. Tudo isso se traduz na carência da capacidade para compreender a verdadeira essência da burocracia termidoriana e suas perspectivas" (Revolução Proletária nº 5, p. 22). Só que ele esqueceu de acrescentar que a culpa para a "baixíssima formação" internacionalista da base de sua corrente é da orientação nacionalista de sua direção, completamente incapaz de levar uma política defensista, ou seja, a defesa das conquistas da revolução proletária.

TPOR: Ao lado de Yeltsin em 91

Em setembro de 1991, a TPOR estampava como manchete de seu jornal uma clara posição pró-Yeltsin chamando a ‘DERROTAR O GOLPISMO NA URSS’: "o proletariado esteve obrigado a combater o golpe totalitário, como fizeram os mineiros que decretaram greve" (Massas, nº19). Mais envergonhada que as outras correntes pseudo-trotskistas, mas não menos emblocada com o bando de Yeltsin, a TPOR utiliza-se de uma imaginária greve mineira como justificativa para tomar a posição na trincheira da camarilha restauracionista, condenando o "golpe totalitário" e assim ficar de bem com a "opinião pública", manipulada pelo imperialismo que propagandeava que as massas se mobilizaram em defesa das liberdades democráticas e contra a burocracia totalitária.

Na verdade, a maioria dos mineiros, assim como o resto da classe operária soviética, permaneceu passiva diante dos acontecimentos de agosto de 91. A única greve que se ouviu falar partiu de um chamado do próprio Yeltsin que foi completamente ignorado pelo proletariado russo. Aleksandr Tsipko, um dos novos ideólogos intelectuais anti-comunistas de opinião insuspeita para declarar simpatias aos golpistas, observou: "milhões de pessoas, a maioria absoluta da sociedade se mostrou indiferente ao golpe. Se os conspiradores tivessem podido resistir e chegar aos mercados com suficiente comida, o povo havia se reconciliado com bastante rapidez com o novo governo conservador". O jornal imperialista Los Angeles Time informou que "os cidadãos moscovitas receberam a notícia da queda de Gorbachev com uma mescla de indiferença e indignação... Moscou não alterou sua rotina de buscar alimentos nos comércios" (citado pelo Clarín, 20/08/91).

Esta justificativa para tomar uma posição de que as massas estariam do lado dos "democráticos" não é da autoria da TPOR, o morenismo já a havia utilizado para apresentar a tomada do poder por Yeltsin, como uma ‘Revolução Operária antiburocrática". Na realidade, as forças da contra-revolução capitaneadas pelo beberrão pró-imperialista em agosto de 91 não conseguiram reunir mais que 10 mil moscovitas, em sua maioria funcionários da própria prefeitura dirigida por Yeltsin, somados a especuladores do mercado negro, novos yuppies e fascistas.

Enquanto afirmam que "as massas rechaçaram ativamente ao golpe" (Massas argentino, nº50), apresentando os operários ao lado de Yelstin os loristas arrumaram o cenário para colocar o imperialismo ao lado dos golpistas: "o mundo das grandes finanças não se assustaram em absoluto com os golpistas, mas até os viu com alguma simpatia" (idem). Nada mais falso. Os loristas mistificam a realidade para, sob uma roupagem pseudo-antiimperialista, aliarem-se a Yeltsin e a restauração capitalista.

Por fim, não contente com a vitória do bando restauracionista, a TPOR defende os "tribunais populares para julgarem e varrerem com o estalinismo" (Massas, nº19) e dar continuidade, ora vejam só, "a revolução política". Aqui não restam dúvidas, nem para o mais irredutível dos militantes, que nos dias decisivos de agosto sua corrente esteve na barricada dos restauracionistas ao lado das forças da contra-revolução como o conjunto da esquerda centrista.

Qual deveria ser a posição dos revolucionários em agosto de 1991?

De um lado, a vitória de Yeltsin significava de imediato a dissolução da URSS nas mãos de uma camarilha restauracionista diretamente vinculada ao imperialismo ávida por se apropriar dos recursos herdados da economia soviética, e, de outro, os estalinistas do Comitê de Emergência que defendiam a continuidade do Estado Operário degenerado temendo perder seus privilégios de casta vinculados à manutenção da URSS.

Na falta de um partido revolucionário com influência de massas na URSS, diante de um conflito entre os restauracionistas e os estalinistas, os revolucionários inevitavelmente deverão tomar o lugar na barricada dos últimos. Nesta aliança momentânea com a burocracia, os trostskistas estarão na defesa não da camarilha bonapartista, mas das bases sociais da URSS, da propriedade estatizada expropriada da burguesia, sem omitir um só momento que tal política está a serviço de preparar a revolução política e derrubar a burocracia termidoriana. Para o fundador da IV Internacional e para os revolucionários "qualquer outro comportamento seria uma traição" (Programa de Transição).

Combater Yeltsin significa retardar a contra-revolução burguesa na URSS e ganhar tempo para preparar a revolução política. E no momento de desmoronamento do aparato estalinista e do estado operário frente às forças da restauração, o tempo é crucial para os revolucionários da IV Internacional armarem seções soviéticas capazes de conter a restauração capitalista e conduzir as massas para a revolução política, tarefa que só o partido trotskista é capaz de realizar.

TPOR: Com Yeltsin em ago/91 e com Rutskoy em out/93. Sempre com os restauracionistas!

Entre os que ficaram ao lado de Yeltsin em agosto de 91 estavam Rutskoy, vice-presidente russo e Khasbulatov, líder do parlamento.

Em outubro de 93, chega ao ápice o conflito entre a frente restauracionista que havia triunfado em 91: os "comissionistas" de um lado, e os "capitães da indústria", entrincheirados no parlamento (juntamente com ultranacionalistas, fascistas e estalinistas), de outro, que se degladiam para ver qual camarilha restauracionista levaria à frente a contra-revolução burguesa na URSS (ver Rússia: A contra-revolução em marcha, Luta Operária nº 5). Este choque se refletiu nos violentos combates entre o governo e o Parlamento, dirigido por Rutskoy e Khasbulatov. Logo no princípio do conflito, "os capitães da indústria" fazem um pacto com Yeltsin em troca de alguns postos no governo, restando no parlamento os nacionalistas, fascistas, seguidos por alguns estalinistas contra os bombardeios de Yeltsin.

Se em agosto de 91 os loristas aplaudem o democrata Yeltsin contra os golpistas totalitários, em 93 a TPOR chama a "reagir a instauração da ditadura de Yeltsin que é pró-capitalista e pró-imperialista" (Massas, set/93, nº58) e prognostica que um ataque armado ao parlamento possa "despertar a reação das massas" (idem). Como centristas, os loristas não se atrevem a sacar todas as conclusões de suas próprias posições. Tentaremos realizar este trabalho por eles.

É natural das correntes pequeno-burguesas guiarem-se sempre pelo princípio da "democracia universal" contra todas as formas de ditadura. Foi este o princípio que balizou a política da TPOR em 91, aliado ao falseamento das posições do imperialismo e das massas nos acontecimentos. Se agora, o golpe sobre o parlamento é a "instauração da ditadura" que conta com o apoio do imperialismo e pode, inclusive, "despertar a reação das massas" porque não apoiar o Parlamento contra Yeltsin? Aqui os centristas se contém temerosos com as conseqüencias de suas próprias posições, isto é, temem desta vez formar uma frente única com os generais fascistas, restauracionistas e partidários do império pan-russo que se encontravam com Rutskoy e seu bando dentro do parlamento.

Neste conflito, entre duas camarilhas restauracionistas, a vitória de Yeltsin ou de Rutskoy significa exatamente o mesmo para o proletariado, a perda das conquistas materiais conseguidas com a expropriação da burguesia. A política centrista mais uma vez mostra-se incapaz de defender as bases sociais e econômicas do estado soviético, e demonstra, em distintas situações, que sempre adotará a barricada de algum restauracionista.

"Estado Operário Degenerado" ou Estado Burguês?
"Revolução política" ou Revolução social?

Cinco anos após o início da contra-revolução, a TPOR segue caracterizando "que ainda prevalece o Estado operário degenerado" e que, portanto, "a tarefa da revolução política se mantém" (Em defesa da Revolução Russa, Ed. Massas, pág 52). Obviamente, para os loristas é mais fácil enganar as massas e a si mesmos, voltando-se as costas para a realidade, do que assumir as conseqüências de suas posições. Interpelados sobre esta caracterização completamente irreal e indefensável, os militantes da TPOR dão com os ombros alegando que esta posição poderá ser revisada no próximo Congresso, tentando esquecer o fato de que já aconteceram 2 Congressos da TPOR só de 93 até hoje, e que, em ambos, esta posição foi reafirmada. Na verdade, a negação de que estamos diante de uma contra-revolução burguesa e não de uma revolução política serve para iludir ao conjunto da militância sobre de que lado ficou a TPOR. A "saída" encontrada pelos loristas emblocados com Yeltsin e o imperialismo foi apelar para a esquizofrenia, fingindo estar num mundo imaginário.

Como caracterizamos no LO nº5, a partir de outubro de 93 dá-se um salto qualitativo na contra-revolução, quando os capitães da indústria, sob a direção de Chernomyrdin, passam a controlar os interesses do governo Yeltsin. Desde então, definiram-se as formas de acumulação primitiva capitalista, sobre a qual se assentaria a nova classe possuidora. O novo poder social se instala de forma violenta, através da extorsão, do roubo, da apropriação privada das empresas estatais pelos antigos gerentes e apoia-se no poder das máfias.

Trotsky assinalava que o que determinava o caráter do estado proletário eram as "formas de propriedade criadas pela revolução de outubro" (O caráter de Classe da URSS). Hoje, o Estado Russo já não é apenas um representante político da burguesia mundial. O desenvolvimento da acumulação capitalista, a partir de meados de 94, avança criando as bases sociais da nova classe possuidora, ou seja as formas capitalistas de propriedade que darão sustentação à nova burguesia, com a restauração da propriedade privada e a obtenção de riqueza pela exploração da mais-valia do proletariado russo.

"O governo já repassou para mãos particulares uma boa parte da economia russa" (Veja, 27/12/95). Para se ter um idéia mais exata do tamanho desta "boa parte da economia" já devorada pela expropriação capitalista, basta verificar que já há um ano e meio atrás os jornais noticiavam: "mais de 70% dos trabalhadores industriais russos estão agora empregados em empresas privadas" (The Economist, reproduzido por El Economista, 15/07/94).

Enquanto isso, o monstruoso aparato criminoso já soma 4.000 organizações mafiosas que recrutam a 200 mil homens armados, controlam 50.000 empresas, mais de 400 bancos e milhares de companhias estatais. Segundo o Jornal argentino Âmbito Financeiro (14/11/94), a máfia já controlava "40% da economia russa" em novembro de 94!

Neste sentido, desde a tomada do poder pelos restauracionistas em 91 já não há mais que se falar de Estado Operário Degenerado, e, mediante o desenvolvimento desta nova burguesia, que apropriou-se juridicamente de um amplo setor dos meios de produção é imprescindível afirmar que o caráter da revolução é social pois agora trata-se não só de expulsar a camarilha yeltsinista governante do nascente Estado burguês como também expropriar os restauracionistas que se apossaram de uma "boa parte" dos meios de produção.

A TPOR revela o verdadeiro conteúdo de sua política, encontrando-se no campo dos que desertaram da defesa das conquistas da Revolução de Outubro e emblocaram-se com as forças da restauração capitalista, como o restante das correntes antidefensistas. Não restam dúvidas de que a TPOR aliou-se à contra-revolução na destruição do estado operário e continua com a mesma política agora, negando-se a combater o Estado burguês parido pelo processo contra-revolucionário.

A principal tarefa dos verdadeiros trotskistas na luta por defender as conquistas da classe operária ameaçadas é construir um poderoso Partido bolchevique internacionalista baseado no armamento das massas, para enfrentar as forças da contra-revolução, e nos conselhos operários em toda a Rússia. Apenas o partido da IV Internacional é capaz de conduzir o proletariado russo à insurreição. Abaixo a contra-revolução de Yeltsin e do imperialismo! Pela construção do partido mundial da revolução socialista!



Artigo da TPOR em resposta à LBI, publicado no jornal Massas nº 103, janeiro de 1996

Um desafio à LBI

Um dos pilares da política oportunista da LBI é a crítica à tática da Frente Revolucionária Antiimperialista (FRA). Para essa corrente sem princípios nem programa, "a FRA da T.POR não passa de uma frente popular que os poristas mudaram de nome" (LO, nº 6).

A verdade política e histórica, porém, é bem outra. A tática da FRA ou da Frente Única Antiimperialista não é uma invenção da T.POR, do POR boliviano ou do Comitê de Enlace pela Reconstrução da Quarta Internacional, mas uma conquista programática do proletariado mundial, expressa nas Resoluções do IV Congresso da Internacional Comunista de Lenin e Trotsky. Baseada na distinção marxista entre países imperialistas (opressores) e países coloniais e semicoloniais (oprimidos), diz as Resoluções, "assim como a bandeira de frente única proletária tem contribuído e contribui no Ocidende para desmascarar a traição cometida pelos social-democratas contra os interesses do proletariado, assim também a bandeira de frente única antiimperialista contribuirá para desmascarar as vacilações e incertezas dos diversos grupos do nacionalismo burguês". Isto é, a tática da FRA tem a finalidade de arrancar aos outros partidos (social-democratas, stalinistas, nacionalistas) os setores proletários, camponeses e da classe média arruinada, para o objetivo estratégico da revolução e ditadura proletárias, nos marcos de um país semicolonial como o Brasil, unificando, assim, a luta antiimperialista (contra a opressão nacional) com a luta anticapitalista (contra a exploração de classe).

O que a LBI estupidamente ignora, revelando seu analfabetismo político, é a tese marxista da divisão entre países oprimidos e opressores. Ao negar a tática de FRA, própria dos países semicoloniais, esses falsos bolcheviques, que apoiam frações da burocracia restauracionista, são mais uma corrente na galeria do revisionismo, ao lado do morenismo (PSTU), do lambertismo (O Trabalho) e do altamirismo (Causa Operária).

Por isso, desafiamos a LBI a criticar as Resoluções do IV Congresso da Internacional Comunista, e a encontrar uma citação de Trotsky contra elas, aconselhando de antemão, a esses ignorantes pedantes, que poupem forças nessa tarefa impossível e procurem assimilar o marxismo.



Mais uma vez os centristas fogem da crítica marxista*

* Artigo extraído do Jornal Luta Operária n. 08 (fevereiro/96)

A TPOR, por não conseguir dar qualquer resposta às críticas feitas por nossa corrente ao programa que defende , em seu último jornal, trouxe dois pequenos artigos cujos conteúdos atestam mais uma vez como reagem os centristas acuados frente à crítica marxista. Após fazer uma frente única com Yeltsin defendendo as falaciosas "liberdades conquistadas pelo proletariado" (Massas nº103) na Rússia, com a destruição do Estado operário, e ficar de bem com a opinião pública burguesa, ajudando o imperialismo a vender a idéia de que a restauração capitalista foi uma conquista para os trabalhadores , o grupo lorista tenta escapulir pela tangente da polêmica aberta por nossa corrente através dos artigos: "Com quem é a Frente Revolucionária Antiimperialista?", LO nº 0, e "A contra-revolução na Rússia e a política suicida do centrismo", LO nº7.

A TPOR acusa a LBI de ter modificado suas resoluções de fundação, apresentadas no jornal LO nº0, sobre os acontecimentos de agosto de 91 na Rússia que, segundo a TPOR eram posições "bem próximas do marxismo" (idem) e opostas às do Partido Bolchevique pela Quarta Internacional (PBCI) da argentina, para depois passar a defender intransigentemente as posições deste último (PBCI), com o qual estamos num processo conjunto de construção de uma corrente internacional, a CBQI, Corrente Bolchevique pela Quarta Internacional.

1) Lembramos aos leitores que nossas posições sobre os bandos da burocracia em disputa no JLO nº0 foram: I) um setor da burocracia capitaneado por Yeltsin, rompeu com o aparato do PCUS e se lançou como representante direto do capital internacional para liquidar o Estado operário; II) o Estado operário burocratizado da URSS já não existe mais, ele foi destruído em agosto de 1991 pelo golpe restauracionista liderado por Yeltsin; III) combater a contra-revolução de Yeltsin a partir da construção do partido operário internacionalista fundado sobre o programa da IV Internacional; IV) lutar por uma saída operária independente frente a Yeltsin e aos golpistas do Comitê de Emergência. Estas posições que em sua caracterização geral está correta, nem de longe se assemelham com a posição da TPOR que optou ficar ao lado da barricada de Yeltsin e do imperialismo, em defesa das "liberdades conquistadas pelo proletariado" (e ainda hoje, após todo retrocesso histórico imposto pela contra revolução nos últimos 5 anos, continua dizendo que o Estado dirigido por Yeltsin é um Estado operário). A posição de apresentar a liquidação do Estado operário pela contra-revolução como um avanço, não passa de seguidismo à política do imperialismo e nada tem a ver com o marxismo de Lenin e Trotsky. A esta posição, assumida tanto pelos loristas, como pelo conjunto das correntes pseudotrotskistas, nos opomos completamente.

2) O que chama a atenção nesta acusação não é só o fato de ter sido usada para se esquivar da polêmica proposta pela LBI, mas também porque parte de um grupo cujos métodos políticos são avessos ao marxismo e ao bolchevismo. Sua relação com o POR boliviano caracteriza-se por um messianismo febril, onde cultuam o caudilho Guillermo Lora e sua política nacional trotskistas que tem "a Bolívia como centro da Revolução mundial". Em 85, Lora renunciou formalmente ao internacionalismo revolucionário, alegando que o "movimento revolucionário da Bolívia (o) absorvia intensamente e não permitia ao POR dedicar muita atenção ao problema internacional" (Prensa Obrera, argentina,28/02/85), para retirar-se da tendência internacional que formava juntamente com o altamirismo. Aprofundando esta política, Lora declara suas verdadeiras "convicções": "Eu acredito que a reconstrução da Quarta internacional se fará partindo da experiência boliviana que é tão rica em ensinamentos e conquistas, não só nos aspectos políticos, mas também no aspecto teórico"(Massas, La Paz, 01/05/85). A esta "riqueza teórica" talvez Lora esteja se referindo à "descoberta" de qualidades "excepcionais", "antiimperialistas" e "revolucionárias" no que existe de mais reacionário do nacionalismo boliviano, as Forças Armadas.

Não seria por demais lembrar que as FFAA, a que os lorista atribuem qualidades "antiimperialistas", foram construídas com dólares americanos após o levante operário que destruiu o antigo exército em 1952; as mesmas FFAA que se tornaram conhecidas mundialmente por sua atuação mercenária na operação comandada pela CIA para assassinar Che Guevara; as que são responsáveis pela violenta repressão e pelas prisões e confinamentos em massa de professores, estudantes e cocaleiros desde a declaração do Estado de Sítio em maio do ano passado pelo governo pró-imperialista de Goni. Os loristas não se contentam, em aliar-se com apenas um setor das forças armadas, mas convidam o conjunto do aparato repressivo, como instituição a uma frente antiimperialista: "uma frente antiimperialista pode englobar a polícia em seu conjunto, como instituição, e não unicamente a uma fração antifascista"(Resposta ao impostor Nahuel Moreno, pag 48). E mais, afirmam que "constitui um gravíssimo erro pretender aplicar às forças armadas [bolivianas] as considerações do marxismo elaboradas para os diferentes países"(Revolução Proletária, nº2), ressaltando as "particularidades da FFAA bolivianas". Trata-se não só de uma escandalosa revisão do marxismo sobre o caráter do aparelho repressivo do Estado burguês, qualificado pelos revolucionários como o braço armado da burguesia; como também uma traição histórica ao proletariado boliviano que pagou com milhares de vidas a lição que aprende, ainda agora, sob o Estado de Sítio, as verdadeiras "qualidades excepcionais" dos gorilas assassinos bolivianos. Como bem observou Trotsky:"A renúncia a uma atitude internacionalista conduz, inevitavelmente, ao messianismo nacional, isto é, ao reconhecimento de qualidades peculiares ao país, capaz de lhe conferir um papel que os demais países não poderiam desempenhar" (A Revolução Permanente, p.140). E que qualidades!!! Forças Armadas, a serviço do imperialismo, antiimperialistas?!!!

O chamado Comitê de Enlace em que estão agrupados a TPOR brasileira e o POR argentino, não passa de um agrupamento messiânico de devotos ao POR de Lora, como está bem declarado na Revista Revolução Proletária nº2: "Para o Comitê, constitui um grande desafio poder enriquecer-se em um aspecto teórico e potenciar-se através da assimilação crítica de toda a rica experiência, quase sempre positiva, do POR boliviano".

Ao contrário do agrupamento messiânico lorista e do seguidismo acrítico da TPOR ao seu "farol da humanidade" sediado na Bolívia, estamos elaborando nosso programa empenhados num sério debate com os companheiros do PBCI, a serviço da construção de uma genuína corrente internacional. Neste processo, avançamos de nossa posição inicial e damos passos importantes na reconstrução da IV internacional.

3) No que diz respeito a nossa formulação inicial de rejeitar a priori uma frente militar com o Comitê de Emergência, a consideramos hoje INCORRETA e não temos nenhum inconveniente em assinalá-la com letras maiúsculas. "Reconhecer abertamente os erros, pôr a descoberto suas causas, analisar a situação que os engendrou, discutir atentamente os meios e os corrigir: isso é o que caracteriza um partido sério, nisso consiste o cumprimento de seus deveres; isto é educar e instruir a classe e depois as massas" (Lenin, Esquerdismo doença infantil do comunismo).

Nosso erro foi confundir o fato de que ambas as alas da burocracia levavam objetivamente à restauração do capitalismo, com a orientação política de cada bloco beligerante frente ao Estado operário soviético. Enquanto Yeltsin defendia a dissolução da URSS, o desmantelamento da planificação econômica e a restauração plena do capitalismo sobre a destruição das conquistas da revolução de outubro, o Comitê de Emergência defendia a manutenção da URSS, contra os planos restauracionistas de Yeltsin. Ainda que os burocratas do Comitê de Emergência defendessem de maneira torpe a manutenção da União Soviética, porque temiam perder seus privilégios de casta com a dissolução da URSS, naquele momento, eles foram os únicos a se oporem à liquidação do Estado operário. Para ser conseqüente na defesa do Estado operário "até as últimas das trincheiras", como assinalava Trotsky, é preciso compreender que a questão não se encerra colocando um sinal de igual entre os dois bandos burocráticos e dando as costas para a intervenção concreta diante do conflito. Para o fundador do Exército Vermelho, os revolucionários devem ficar "totalmente e sem reservas com o bloco da república soviética. E desde já devem diferenciar-se de forma marcante daqueles que mantém uma posição ambígua a respeito deste problema fundamental"(Escritos, 30/10/1929). A compreensão deste problema fundamental, que separa os trotskistas dos pedantes tagarelas, coloca como obrigação para os revolucionários defensores das conquistas da Revolução de Outubro fazerem uma frente militar com o setor da burocracia que, naquele momento crucial, se opunha ao fim do Estado operário, levado a frente pela camarilha pró-imperialista de Yeltsin, sem em nenhum momento prestar solidariedade política aos stalinistas, impulsionando a reação operária a partir de um programa revolucionário independente dos golpistas e com os métodos próprios da classe operária (greve geral, ocupações de fábrica, armamento do proletariado, democracia operária etc.).

O interessante é que justamente onde a LBI faz uma revisão de sua formulação inicial por carecer de precisão é que a TPOR se apega a estas mesmas formulações para denominá-las de "bem próximas do marxismo". Aqui a TPOR atesta que, ou não é marxista, porque suas posições não foram de maneira alguma "próximas" das nossas, ou está tentando utilizar as posições alheias para encobrir suas capitulações à contra-revolução de Yeltsin. Se isto não é oportunismo, o que seria então?

4) A causa do nosso erro parte da inexperiência em analisar os fenômenos da luta de classes internacional. Fenômeno que está intimamente ligado ao fato de que acabávamos de romper com a escola nacional-trotskista do altamirismo (Causa Operária) que deprecia a análise política internacional. A mesma escola chauvinista do lorismo e do lambertismo. Como parte da evolução programática da LBI, nossas primeiras formulações não se apresentam de maneira acabada, ela se forja num processo de aproximações sucessivas com o genuíno programa trotskista. A compreensão de que a evolução dos fenômenos sociais ou de um programa político possa se dar de maneira unilateral e acabada, foi aniquilada pela dialética hegeliana já no século passado. Os sábios da TPOR ainda não se deram conta desta lei que o marxismo integrou à concepção materialista da natureza, e que é "tão necessária para um lutador revolucionário assim como o exercício com os dedos para um pianista — exige que todos os problemas sejam tratados como processos e não como categorias imóveis (...) os evolucionistas vulgares, se limitam geralmente a reconhecer a evolução somente em certas esferas, e se contentam em todas as demais questões, com as banalidades do ‘senso comum’"(L. Trotsky, Em defesa do Marxismo). Mais uma vez, a TPOR refuta o marxismo.

Um desafio à TPOR

Para esconder o seu fracasso em livrar-se da polêmica "Com quem é a Frente Revolucionária Antiimperialista?" (LO nº 6), onde caracterizamos a tática da FRA de frente popular e como uma capitulação ao nacionalismo burguês, às organizações pequeno-burguesas e ao stalinismo, a TPOR tergiversa, desafiando a LBI a criticar as teses do IV Congresso da III Internacional, onde está contido essa tática, e a encontrar uma citação de Trotsky contra elas.

Este novo esforço da TPOR em driblar o debate programático não foi mais feliz que os primeiros. Advoga que a FRA não é uma invenção sua, mas uma formulação expressa do IV Congresso da Internacional Comunista e, portanto, fundamentada nas Teses para a revolução nos países coloniais e semicoloniais (Teses do Oriente), escritas em 1922.

As Teses do Oriente, elaboradas no IV Congresso da IC, defendem a tática de que a revolução nos países atrasados têm um caráter colonial e não proletário, devendo, numa primeira etapa ser dirigida por setores nacionalistas da burguesia nativa e pela intelectualidade. A esta frente encabeçada pela burguesia nativa, denominada de "frente antiimperialista comum", o proletariado deveria se integrar. Esta etapa duraria segundo a própria tese, um largo período histórico antes que chegue o momento em que os trabalhadores tomem para si a tarefa de fazer sua própria revolução e instaurar a ditadura do proletariado. Durante esta primeira etapa, o proletariado teria que esperar a revolução proletária nos países avançados para que, sob esta condição, possa triunfar a revolução colonial nos países atrasados.

As postulações fundamentais da tese não deixam dúvidas: "As tarefas objetivas da Revolução COLONIAL superam o marco da democracia burguesa, sua dominação decisiva é incompatível com a dominação do imperialismo mundial. NO COMEÇO, A BURGUESIA E OS INTELECTUAIS ASSUMEM O PAPEL DE PIONEIROS DOS MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS COLONIAIS. Porém, desde o momento em que as massas proletárias e camponesas se incorporam a este movimento, a grande burguesia e a burguesia mundial se dividem, abrindo espaço aos interesses sociais inferiores do povo. UMA LARGA LUTA QUE DURARÁ TODA UMA ETAPA HISTÓRICA, espera o jovem proletariado nas colônias (...) OS ACORDOS COM A DEMOCRACIA BURGUESA SÃO ADMISSÍVEIS E ATÉ INDISPENSÁVEIS (...) A REVOLUÇÃO COLONIAL SÓ PODE TRIUNFAR COM A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA NOS PAÍSES OCIDENTAIS" (Os quatro primeiros Congressos da III Internacional, Tomo II, Ed. Passado e Presente, pág. 230).

As Teses do Oriente não foram redigidas por Lenin ou por Trotsky, mas sim por Bukárin, sua aprovação recebeu a contestação de vários delegados, mais decididamente pelo representante da Índia no Congresso, o camarada Róy, que caracterizou a tese como ETAPISTA. Róy defendeu que "os movimentos revolucionários nacionais nos países onde milhões e milhões desejam a libertação nacional e que não podem progredir sem libertar-se econômica e politicamente do imperialismo, NÃO TRIUNFARÃO SOB A DIREÇÃO DA BURGUESIA" (A Internacional Comunista, 1919-1943, Londres, Frank Cass).

Não desconhecemos que as Teses do Oriente foram aprovadas por Lenin e por Trotsky. Porém, a partir do Balanço da Revolução Russa e de suas próprias elaborações, já desde 1905, aliada ao desastre da aplicação prática destas teses na China, Trotsky elabora em 1929 as Teses da Revolução Permanente: "QUAISQUER QUE SEJAM AS ETAPAS EPISÓDICAS DA REVOLUÇÃO NOS DIFERENTES PAÍSES, a aliança revolucionária do proletariado com os camponeses, SÓ É CONCEBÍVEL SOB A DIREÇÃO POLÍTICA DA VANGUARDA DO PROLETARIADO ORGANIZADA COMO PARTIDO COMUNISTA. Isso significa, por outro lado, que A VITÓRIA DA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA SÓ É CONCEBÍVEL POR MEIO DA DITADURA DO PROLETARIADO apoiada em sua aliança com os camponeses e destinada, em primeiro lugar, a resolver as tarefas da revolução democrática. (...) Essa aliança (entre o proletariado e o campesinato) das duas classes só se realizará numa luta implacável CONTRA A INFLUÊNCIA DA BURGUESIA NACIONAL-LIBERAL" (Trotsky, A Revolução Permanente, Ed. Ciências Humanas, págs. 137-138).

Não há dúvida que as Teses do Oriente são etapistas, colocam o proletariado a reboque do nacionalismo e foram superadas pelas Teses da Revolução Permanente de Trotsky.

Segundo os sábios da TPOR, a tática da FRA está condicionada ao objetivo estratégico da revolução e ditadura proletárias. Uma completa falsificação das Teses da IC. Desafiamos a TPOR a encontrar um parágrafo ou frase das Teses do IV Congresso da Internacional Comunista onde se diga que a "revolução colonial" (porque em nenhuma passagem se menciona revolução proletária nos países coloniais e semicoloniais) se levará adiante por meio da ditadura do proletariado.

Desafiamos também a TPOR a encontrar qualquer citação de Trotsky nas Teses da Revolução Permanente em defesa da frente antiimperialista, da revolução por etapas, ou de uma aliança com setores nacionalistas da burguesia.

Do que está falando a TPOR? Da frente antiimperialista contida nas Teses do IV Congresso da IC para os países colonais e semicoloniais adotadas por Bukárin e Stalin na China e severamente combatida por Trotsky, ou de uma versão lorista para a mesma tática que macula a revolução e a ditadura do proletariado com a política da frente popular? Nos parece que os loristas resolveram adotar não só a tática frente-populista, mas também os métodos de compilações adulteradas do stalinismo.

Agora sim, aconselhamos a TPOR a poupar esforços para as próximas fugas, pois Trotsky deixou um legado repleto de denúncias à tática "antiimperialista" de Stalin e Bukárin, e sua tática contra-revolucionária de fazer frente com os capitalistas nacionalistas.

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Greves nas Polícias...*

* Artigo extraído do jornal Luta Operária nº21, julho/97

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Oportunismo deslavado da esquerda

Para o PT, que dirige uma das mais bem preparadas polícias militares do Brasil (Brasília), atualmente em guerra contra o movimento popular, nada mais natural do que defender em seu programa uma "melhoria" nas condições da "segurança pública", ou melhor, na segurança da burguesia contra o povo. Por isto, de forma geral, o espectro das forças da chamada esquerda, abrigadas no interior do PT, apoiou acriticamente a greve das PM’s por melhores condições de trabalho e salários. A exceção fica por conta do estado de Pernambuco, em função da participação do PT no governo Arraes.

O estranho é que organizações pseudotrotskistas, como é o caso do PSTU, que não se cansam em afirmar que as polícias são um instrumento de dominação do capital contra os trabalhadores, respaldem integralmente as reivindicações dos policiais. Para o PSTU "o apoio às reivindicações e a luta dos policiais é fundamental, pois esta é a única forma de aproximá-los da classe trabalhadora" (Jornal Opinião Socialista, nº 39). Não é à toa que o mesmo jornal tem o descaramento de estampar uma foto, onde os PM’s seguram uma faixa com os seguintes dizeres: "a insegurança pública é culpa do governo".

Vejam até que ponto pode chegar a degradação de uma corrente que se diz marxista, clamar por mais "segurança pública" por parte do Estado burguês. Mas pelo menos em uma questão somos obrigados a concordar com o PSTU. Com o atendimento das reivindicações da greve, como a compra de melhores e mais eficazes instrumentos de trabalho para os policiais, com toda a certeza isto levará a "aproximá-los da classe trabalhadora", só que a referida "aproximação" será para reprimi-la de forma mais eficiente, como vem fazendo as polícias mais bem equipadas de todo o mundo.

A TPOR, outra corrente do campo pseudo-trotskista, é bem menos ortodoxa na conceituação das polícias como aparato de repressão de uma classe sobre o proletariado. Seu dirigente máximo, Guilhermo Llora, chegou a afirmar o seguinte sobre o caráter das polícias: "uma frente antiimperialista pode englobar a polícia em seu conjunto, como instituição e não unicamente a uma facção antifascista" (Resposta ao impostor Nahuel Moreno). Para realizarem a pirueta de apoiar a greve das PM’s sem manchar-se com o sangue derramado quotidianamente dos trabalhadores pelos policiais, chegam a afirmar em seu jornal que "não se trata de defender a melhoria de vida dos policiais" (Jornal Massas, n.136). Para no mesmo artigo entrar em contradição:"é necessário apoiar a greve das PM’s contra a fome e a miséria imposta pelo regime capitalista" (Idem). Ou seja, estabelecem a política de um ovo em cada cesto. Justificam o apoio à greve (baixos salários) com o mesmo argumento de que dizem oporem-se às reivindicações da greve (melhoria de vida dos policiais). Só mesmo uma organização ultra-oportunista que, não em poucos casos, chegou a colaborar com organismos de inteligência da repressão para delatarem outras tendências do movimento, pode fazer tantas acrobacias políticas sem o menor princípio programático.

Já Causa Operária, teve uma posição bastante pitoresca nos episódios das PM’s, chegando a acusar de capitulação o governo Azeredo e FHC: "Azeredo e FHC capitulam" (Manchete do JCO nº 247). Ora, só podemos acusar de "capitulação" forças que se encontram em um mesmo campo de luta. Será por acaso que CO, não fixando uma posição taxativa sobre a questão, nutriu simpatias com os que não capitularam à greve dos policiais, como Tasso Jereissati, por exemplo? Seguindo a mesma trilha do pitoresco, CO caracteriza a greve das PM’s da seguinte forma: "...esta greve não foi um movimento de dissolução da PM, ou seja, de caráter progressista..." (Idem). Quanto espontaneísmo supor que uma greve conduzida por associações reacionárias das PM’s pudessem reivindicar sua própria "dissolução"... Tal suposição só poderia passar pela cabeça de uma corrente democratizante até a medula, que não se cansa de sonhar com a "dissolução das PM’s" à margem da verdadeira destruição do aparato repressivo da burguesia como parte da consolidação das milícias armadas do proletariado.

Somente a adoção de um genuíno programa revolucionário para as forças armadas, contemplando a defesa da formação de sindicatos vermelhos em uma etapa pré-revolucionária, combinada com a construção do organismo de poder operário como as milícias armadas do proletariado, em um segundo momento mais avançado na luta de classes, podem colocar-se à altura da tarefa de completa destruição do Estado burguês e seus organismos de repressão (FFAA, policias) pela via da insurreição das massas urbanas apoiadas pelo campesinato. Este programa é cabalmente incompatível com a estratégia política das organizações reformistas que, de uma forma ou de outra, advogam pela democratização do Estado burguês e suas instituições. Somente a construção de um autêntico partido revolucionário poderá conduzir o proletariado em sua vitória final contra os capitalistas e sua ditadura de classe.



A cortina de fumaça da seita lorista no Brasil*

* Artigo extraído do Jornal Luta Operária n. 33 (fevereiro/99)

A sucursal brasileira do ultra-revisionista boliviano Guillermo Lora, conhecida como TPOR, vem desenvolvendo no último período uma campanha sistemática de acusações contra a LBI pelo fato de termos denunciado a colaboração de seus militantes com órgãos de repressão e informação do Estado burguês. Como meliantes que são flagrados em plena ação, a TPOR utiliza-se da mesma esperteza de gritar "pega ladrão!", para livrar-se de sua responsabilidade no episódio, tentando criar uma cortina de fumaça para encobrir tanto suas posições políticas oportunistas, quanto sua prática de delatores de organizações políticas oponentes.

Desde que começamos a polemizar com a TPOR em nosso jornal, buscamos fundamentalmente delimitar posições políticas e programáticas antagônicas, evitando desta forma baixar o nível político do debate. Foi assim quando denunciamos a posição oportunista dos loristas em considerar como "revolução" a contra-revolução que destruiu a União Soviética, ou mesmo quando criticamos as afirmações de Guillermo Lora sobre sua defesa escandalosa da polícia e das forças armadas enquanto instituições repressivas do Estado burguês: "Uma frente antiimperialista pode englobar a polícia em seu conjunto, como instituição e não unicamente a facção antifascista" (Guillermo Lora, Resposta ao impostor Nahuel Moreno, pág. 48). Só para se ter uma rápida idéia da composição da tal frente única antiimperialista (FUA)advogada por Lora, deixemos que ele próprio a defina: "teoricamente não podem excluir-se os setores industriais da burguesia nacional" (Guillermo Lora, Hacia la dictadura del proletariado, pág. 179). Mais recentemente, voltamos a desmascarar os desvios nacionalistas da corrente lorista sobre o caso da detenção do ditador Pinochet pelo governo britânico. Para a TPOR, a "soberania do Chile" teria sido ferida pela prisão de Pinochet em Londres, e para estes senhores, Pinochet só poderia ser julgado no próprio Chile, o que corresponde a entregá-lo ao atual governo democrata-cristão e herdeiro político do regime militar. A respeito de nossas críticas políticas, impera o mais profundo silêncio da parte da TPOR.

Mas para jogar uma cortina de fumaça sobre suas posições indefensáveis do ponto de vista do marxismo revolucionário, a TPOR vem levantando uma campanha contra a LBI, por supostamente ter sido difamada de delatora. Esta campanha atingiu contornos de uma falsificação grosseira quando em seu periódico Massas nº 166 afirma que a LBI teria fugido de uma reunião entre correntes de esquerda (LOI, TPOR, Coletivo dos Trabalhadores) ocorrida no congresso da CNTE, em função de uma absurda exigência da TPOR de "provas" por parte da LBI. Vejamos o que relata o jornal Massas sobre esta reunião: "exigiram da LBI que apresentasse provas como Boletim de Ocorrências (B.O.). Chegou-se ao ponto de um dos independentes declarar que conhecia a trajetória do POR e que se a LBI não tivesse o BO então esta deveria ser expulsa da reunião... Na reunião seguinte a LBI faltou... A ausência da LBI demonstrou que esta não tinha prova". A falsificação e delírio é um método próprio das seitas messiânicas que ‘adapta’ a realidade aos seus espasmos de insanidade. Em primeiro lugar, a LBI não faltou à referida reunião das correntes de esquerda, (somente na última reunião deste bloco de esquerda dedicada a elaboração de um programa para a apresentação de uma chapa, a LBI deliberadamente ausentou-se desta por divergir em legitimar o lançamento de uma chapa no congresso hiperburocrático da CNTE) e foi a própria TPOR que foi rechaçada nesta, em seus objetivos de tentar armar uma arapuca para a LBI. Das duas tendências que participaram desta reunião que tinha como objetivo discutir a conveniência política da formação de uma chapa da esquerda para ser apresentada no congresso da CNTE (além da TPOR e LBI), a Liga Operária Internacionalista (LOI) se opôs decididamente a processar este debate, de forma atravessada, naquele momento, em virtude do completo desconhecimento de todos os fatos que envolveram a delação feita pela TPOR da LBI. A LOI, conjuntamente com a LBI, defendeu a criação de um fórum específico para este fim, para que pudesse ser analisada as acusações de ambas as partes, com prévio conhecimento de todos os fatos que ocorreram no citado incidente da delação. Os companheiros do Coletivo dos Trabalhadores (CT), grupo dirigido pelo companheiro Tonhão, reivindicou da LBI nesta reunião a apresentação de um Boletim de Ocorrências que contivesse a delação feita por militantes da TPOR. Segundo os companheiros do CT, eles mesmos possuíam a cópia de um BO em que o presidente da APEOESP, Roberto Felício, denunciava o companheiro Tonhão. Esta posição foi apresentada fraudulentamente no jornal Massas, como sendo a de "independentes". E o que é pior, passou a ser reivindicada também pela própria TPOR na reunião e em seu jornal.

Se a defesa da apresentação de um BO pela LBI como prova de delação da TPOR foi por parte dos companheiros do CT, no mínimo uma ingenuidade, a reivindicação desta posição por parte da TPOR é uma verdadeira canalhice política. A TPOR sabe muito bem que dedo-duros não registram suas delações em Boletins de Ocorrências policiais, muito pelo contrário, a maioria destes tipos prefere manter suas ações no mais absoluto sigilo e sem nunca deixar provas de tipo algum. Quando as delações são feitas entre organizações ou militantes de esquerda, por motivo de divergências políticas, estas seguem fielmente a esta mesma regra. Por acaso os delatores da histórica chacina da Lapa, integrantes das próprias fileiras do PCdoB, registraram sua "queixa" em algum Boletim de Ocorrência? Alguém já ouviu falar em algum BO por ocasião dos militantes do Sendero Luminoso que delataram à polícia peruana o aparelho onde se encontrava Abimael Gusman? A absurda defesa da TPOR da apresentação de um BO de delação por parte da LBI é a prova cabal e irrefutável de que realmente militantes da TPOR deduraram a LBI a órgãos de informação e repressão do Estado burguês. Somente uma corrente que procura livrar-se de sua responsabilidade, ou de seus militantes, pode pretender safar-se das acusações, exigindo uma prova, que simplesmente não pode existir, pelo simples fato de que delações, motivadas por lutas políticas, não podem ser comprovadas por Boletins de Ocorrências, emitidos por parte de uma Secretaria de Segurança Pública.

Quando os militantes da TPOR, em conjunto com o PT e o PSTU, no ano de 1995, começaram a espalhar boatos que a LBI (naquele momento, estávamos em pleno processo de ruptura com Causa Operária) teria roubado computadores cedidos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) ao Diretório Central dos Estudantes (DCE), tinham o objetivo claro de atrair a atenção de organismos de informação e repressão contra a nossa corrente. A campanha destes senhores era tão desprovida de conteúdo real, que sequer a reitoria da UECE pôde se apoiar nesta campanha contra a LBI, pois sabia que jamais havia cedido nenhum computador para a sede do DCE – como roubaríamos algo que não existia? O que o DCE realmente utilizava era uma impressora para confeccionar as carteiras de estudantes, sendo conectada aos computadores do próprio Departamento de Informática da UECE e que jamais foi roubada desta universidade como pode ser comprovado por qualquer interessado no departamento de patrimônio desta universidade! Mas quando policiais foram buscar informações sobre o boato espalhado por esta escória, logo os militantes da TPOR, R. e T., apressaram-se em fornecer informações, até mesmo sobre dados pessoais, de um dos dirigentes da LBI. A canalha da TPOR, agora, tem a cara-de-pau de reproduzir uma declaração de seus ex-militantes R. e T., onde afirmam que nunca acusaram a LBI do roubo de computadores na UECE. Para delatores deste calibre, como R. e T., assinar uma carta mentirosa redigida pela direção da TPOR é um "café pequeno". Desafiamos publicamente a qualquer militante de esquerda, em particular os companheiros do CT, que procurem "provas" junto aos ativistas do movimento estudantil da UECE no período 95-96, para saberem qual foi a verdadeira posição dos ex-militantes da TPOR R. e T. naquela ocasião. Formemos uma comissão entre o CT e LOI, presentes à reunião da esquerda ocorrida no Congresso da CNTE em Goiânia para que apurem profundamente se nossas acusações a TPOR são desprovidas de veracidade.

Para a LBI, não é de se estranhar que no seio de um grupo que reivindica a inclusão da polícia assassina, como instituição em seu conjunto, no interior de uma frente política (FUA), possa desenvolver, em seu ventre, militantes com comprovada vocação à colaboração com agentes policiais. O caso de R. e T. é uma comprovação prática de como uma posição programática abstrata pode desembocar em atitudes deploráveis, sob a ótica da moral proletária.

TPOR: uma seita de camaleões políticos

A TPOR surgiu no início de 89, como um agrupamento de ex-militantes de Causa Operária (CO) que em grande parte tinham sido expulsos já há algum tempo por uma comissão de controle por questões de conduta, ou mesmo estavam auto-afastados há anos, como foi o caso de Manoel Boni (que saiu da TPOR sob a pecha de delator) e de Atílio de Castro, este último um dos fundadores de CO, mas com várias entradas e saídas motivadas por questões pessoais ao longo da sua militância na CO. O núcleo inicial da TPOR surgiu com o convite que o então vereador Manoel Boni (nessa altura afastado de CO por divergir do percentual de cotização do seu salário de parlamentar à organização) fez a Atílio para este assessorá-lo em sua campanha eleitoral em 1988. Atílio aceitou o convite, formando uma espécie de dupla política de descontentes com o dirigente de CO, Rui Pimenta. Logo, a dupla elaborou um documento onde reivindicava seu retorno à Causa Operária, mediante uma mudança na condução que Rui Pimenta imprimia à organização. Para eles, o grande problema político de CO era que sua direção não seguiu fielmente às orientações políticas dadas pelo Partido Obrero (PO) da Argentina. Neste período, Atílio de Castro considerava Jorge Altamira um dirigente revolucionário irretocável, e o programa do PO como uma verdadeira bíblia sagrada. Acontece que a direção do PO não aceitou a bajulação de Atilio, perfilando-se integralmente no campo do senhor Rui Pimenta, obstruindo, desta forma, o retorno da dupla política às fileiras de CO. Foi então que Atílio tomou conhecimento da articulação de Guillermo Lora para formar um novo agrupamento internacional, aproveitando-se de uma cisão do próprio Partido Obrero na Argentina. Atílio como um bom religioso, rapidamente mudou de senhor, e sem nenhuma autocrítica pública passou a considerar Jorge Altamira e o próprio PO como reles "eleitoralistas".

Ao adotar o "programa" de seu novo amo, o grupo da TPOR passou a repetir mecanicamente toda a ladainha política do POR boliviano, de forma completamente acrítica, além de defenderem a trajetória oportunista do POR ao longo da luta de classes na Bolívia. O eixo programático do POR boliviano é a formação de uma frente única antiimperialista, que deveria englobar as próprias forças armadas bolivianas em seu conjunto, além dos setores da burguesia industrial. Sobre as FFAA da Bolívia, Lora afirma o seguinte: "constitui um gravíssimo erro pretender aplicar às forças armadas as considerações do marxismo elaboradas para os diferentes países" (Revolução Proletária n.º 2). Para este farsante as considerações do marxismo sobre as FFAA não poderiam ser aplicadas à Bolívia, ou seja, a destruição das FFAA, como instituição mestra do Estado burguês, e a sua substituição pelos conselhos operários e camponeses (Sovietes) e pelas milícias armadas do proletariado, não poderiam ocorrer pela "excepcionalidade" da Bolívia, simplesmente porque seu exército seria "nacionalista" e passaria para o lado do proletariado em um processo revolucionário. A própria história boliviana já demonstrou farta e exatamente o contrário. Restando ao POR o infame papel de constituir-se como lacaio do governo encabeçado pelo general Torres, nos anos 70, que longe de armar o proletariado, como gostaria Lora, deixou o caminho aberto para o golpe fascista de outro general, "nada nacionalista", o atual presidente Hugo Banzer. Além da "excepcionalidade antiimperialista" das FFAA bolivianas, Lora também acredita que a própria IV Internacional deve ser reconstruída a partir da excepcionalidade boliviana: "eu acredito que a reconstrução da IV Internacional se fará partindo da experiência boliviana" (Masas, 1/5/85). Sem antes é claro, fazer suas ressalvas ao grau de comprometimento dispensado a esta tarefa: "o movimento revolucionário na Bolívia absorvia intensamente e não permitia ao POR dedicar muita atenção ao problema internacional" (Gillermo Lora, PO 28/2/85). A concepção nacionalista e messiânica do POR, sob a figura de Lora, fez com que a principal ocupação das seções de sua já extinta tendência internacional fosse de vender as obras completas do velho caudilho boliviano.

É exatamente o oportunismo maquiado de ultra-esquerdismo na esfera política e um menchevismo nas questões organizativas de partido o que caracterizam as seitas seguidoras do POR-Lora. A TPOR brasileira, sendo uma cópia malfeita da sua matriz, expõe mais cruamente estes aspectos. O próprio Lora aparentemente desconhece o caráter da composição militante da TPOR brasileira. Ao referir-se constantemente e de forma depreciativa ao "historiador Coggiola", representante do Partido Obrero no Brasil, como um "intelectual uspiano" (jornal Massas, nº101), omite o fato do principal dirigente da TPOR brasileira ser um professor de literatura da Pontifícia Universidade Católica (PUC) há cerca de 20 anos e que por várias vezes quando militava ainda no interior de CO, afirmou que não estaria disposto a colocar em risco o seu emprego de professor universitário para dedicar-se a outras atribuições dadas pela organização. No período em que este pilantra participou da diretoria da Associação dos Professores da PUC, APROPUC, desligou-se de CO para não se comprometer com deliberações da organização que porventura pudessem entrar em confronto com a Cúria Metropolitana da Igreja, mantenedora da PUC. Lora deveria ter mais cuidado ao atacar o "professor" Coggiola, tendo em "casa" um exemplo ainda mais apodrecido de um diletante que acha atraente o rótulo de "marxista", sem que esteja disposto a colocar em perigo seu posto no seio da intelectualidade pequeno-burguesa.

Uma das poucas críticas que podem ser consideradas políticas que a TPOR conseguiu esboçar contra a LBI foi a de termos formulado consígnias de poder, que formalmente não seriam a clássica palavra de ordem de "governo operário e camponês". Sustentam desta forma sua crítica à LBI: "a LBI se originou de uma cisão totalmente sem princípio do PCO. Sem princípio porque saiu defendendo a mesma estratégia de governo dos trabalhadores" (Massas, n.º 137). Em primeiro lugar a crítica da TPOR parte de uma falsificação facilmente desmontável. Não rompemos com o PCO defendendo o "governo dos trabalhadores"; em nosso primeiro jornal Luta Operária n.º 0, nossa resolução política da Conferência de Fundação da LBI afirmava a defesa de "um governo das organizações operárias e camponesas". Como marxistas, compreendemos que mais importante do que o tipo da formulação literária da consígnia de poder é seu conteúdo, determinada pelas tarefas que a fórmula encerra. A própria palavra de ordem "governo operário camponês" é uma derivação popular da fórmula de ditadura do proletariado. O que distingue uma formulação revolucionária de poder de outra frentepopu-lista ou nacionalista-burguesa é a defesa da destruição do Estado burguês e suas instituições, parlamento, FFAA, justiça etc. pela via insurrecional dos organismos soviéticos do proletariado. O novo poder proletário, surgido da revolução socialista deve constituir-se como uma ditadura social do proletariado sobre a burguesia em seu conjunto. Taticamente, o partido revolucionário pode utilizar-se de várias formulações mais adequadas à conjuntura da luta de classes em um determinado momento histórico. Por exemplo, seria uma estupidez não levantar na Bolívia em 1985 a palavra de ordem de um governo da COB e das organizações operárias, como fez o POR-Lora neste momento, em nome da defesa genérica da ditadura do proletariado. Mediações táticas nada têm a ver com oportunismo, desde que se mantenha as tarefas revolucionárias, acima mencionadas, pelo novo poder proletário. Como bons messiânicos, a TPOR entende que deve repetir mecanicamente sempre a mesma consígnia, "ditadura do proletariado" ou "governo operário e camponês", que sem dúvida mantêm toda a sua atualidade, mas em determinados momentos podem ser traduzidas politicamente em outras consígnias. Mas o pior mesmo é que por vergonha, a TPOR encobre a seus militantes a defesa feita pelo POR-Lora de um "governo do povo contra o governo fascista a serviço do imperialismo e dos antipátrias" (Masas, nº 403). Esta sim é uma formulação anticlas-sista, "governo do povo", que tem como objetivo a constituição de um governo nacionalista-burguês de frente popular, como o governo do general Torres no exílio integrado pelo POR-Lora, não tendo nada a ver politicamente com a ditadura do proletariado. Aliás, não há nenhuma garantia de que a consígnia de ditadura do proletariado, proferida pela boca de camaleões políticos como os do POR, não signifique realmente a instauração de um governo de nacionalistas gorilas, como já ocorreu por diversas vezes na África e na América Latina, e que contaram com sua admiração.

Com Trotsky, concordamos que oportunismo e sectarismo são duas faces da mesma política. A campanha furiosa da TPOR contra a LBI que conta com o apoio do leque frentepopulista existente no país, só atualiza a afirmação do "velho" bolchevique: "na prática, os sectários unem-se aos oportunistas, sobretudo aos centristas, para lutar a todo o instante contra o marxismo" (L. Trotsky, Programa de Transição).



Artigo da TPOR em resposta à LBI, publicado como encarte do jornal Massas nº 169, abril de 1999

A LBI se defende com mais difamação O difamador se bate por tornar a mentira verdade

A LBI quer a todo o custo transformar o POR em delator. Essa é a sua arma para nos combater. Não há nada pior que o delator. Este está acima do carrasco. Mas como transformar o adversário em delator se este está numa posição principista completamente oposta à delação? Fazer de uma corrente revolucionária um verme que na calada da noite entrega seus adversários à polícia é uma empreitada impossível. Mas para a LBI não há o impossível. Em seu laboratório, tem a fórmula para tal alquimia. Talvez a LBI gostasse mais se disséssemos que se trata de uma arte e não de bruxaria. Há quem acredite que transformar a mentira em verdade seja uma arte. Hitler, por exemplo, foi um artista neste fenômeno da transmutação. Isso para citar um exemplar muito conhecido. Ainda bem que o dirigente máximo da LBI, que quer fazer do POR um delator, é apenas um verme na ordem das relações sociais e políticas. Sorte nossa! Se tivesse um pouquinho de poder teríamos um grande problema. A difamação em política contra os marxistas é uma atividade policial.

Tentamos mostrar à LBI que este não era um bom caminho para nos enfrentar. A luta entre as correntes que se reivindicam do marxismo-leninismo-trotskismo é parte da tarefa de pôr em pé o partido revolucionário. É positiva a crítica e a diferenciação. Lembramos o exemplo de Lenin e Trotsky que estiveram separados por posições e acabaram por confluírem. Os acontecimentos se encarregaram de resolver as diferenças. Isso foi possível porque ambos manejavam o método marxista de proceder a crítica e a autocrítica. O POR e a LBI poderiam trilhar esse caminho e permitir que os fatos demonstrassem suas teses. Principalmente, por se tratar de duas correntes nascentes. Mas a LBI revelou prematuramente tratar-se de um rebento deformado e apodrecido.

Já tínhamos comprovado essa conclusão . Ocorre que a LBI voltou à difamação, acrescentando mais alguns elementos em sua caricatura. O redator do artigo (ou melhor, do lixo) "A cortina de fumaça da seita lorista no Brasil" espumou frente à demonstração cabal de que a LBI é difamadora. Em uma reunião de correntes de esquerda e independentes, realizada por ocasião do Congresso da CNTE, o POR exigiu que a LBI mostrasse provas de que os ex-militantes R e T a tinham denunciado à polícia sobre roubo de computador da Universidade. Os presentes se solidarizaram com o POR nesta exigência — um dever mais do que elementar para quem está construindo uma frente política. A LBI não apresentou nenhuma prova no momento e no dia seguinte faltou à reunião, sabendo que o POR insistiria na exigência.

Em resposta à nota publicada no Massas ("A LBI difamadora não apresenta provas e foge covardemente da reunião"), a LBI desfiou mais um rosário de mentiras. O difamador acredita que a melhor forma de sustentar a difamação é desmoralizar o adversário. É o que procura fazer com seu artigo "A cortina de fumaça (...)".

Sem provas, o difamador faz novos malabarismos

No seu artigo, a LBI pousa de principista. Quer fazer crer que sempre procurou se diferenciar do POR pela crítica política. Seria bom se assim fosse porque não estaríamos perdendo tempo a desmascarar suas falsificações sobre suposta delação. É compreensível, no caso da LBI, a tentativa de se fazer de vítima de uma campanha do POR "no último período". Se não fosse a difamação, simplesmente a ignoraríamos.

A falsificação da LBI foi lançada em setembro de 1997 em seu jornal, no interior de uma matéria de polêmica conosco sobre a greve da polícia. Imediatamente, soltamos uma carta pública no Congresso da CUT, exigindo que a LBI comprovasse a acusação de que o POR "não em poucos casos chegou a colaborar com organismos de inteligência e repressão para delatar outras correntes do movimento". A LBI simplesmente se calou. Seus dirigentes sabiam que falsificavam.

Para o criador de mentira, tudo se acabava aí, mas não para o acusado de tal infâmia. Por que o problema voltou agora? Porque a fração majoritária do POR argentino, que rompeu com o Comitê de Enlace, procurou a LBI para uma aproximação. Então exigimos de Gustavo Gamboa que pedisse as provas ao seu novo aliado. Este colocou o problema e recebeu uma explicação fantasiosa da LBI.

Vejam o que relata Gamboa em seu informe: "Segundo os camaradas da LBI, foram acusados de ter usurpado máquinas de propriedade da Universidade para uso da Federação (para fazer credenciais estudantis). O certo é que um camarada da TPOR da referida Universidade depôs como testemunha do caso (destaque nosso). (...).

Pela primeira vez, tivemos uma versão da LBI. A de que um militante do POR tinha prestado testemunho. Releiam a informação de Gamboa acima em negrito. Agora, vejam a conclusão do próprio Gamboa: "Aparece como uma puteada despolitizada" da LBI "que não fundamenta tamanha acusação" (...).

No transcorrer de nossa polêmica com a Fração majoritária argentina, Gamboa vem com nova conclusão e faz exigências. Eis: "É certo ou não que um militante da TPOR de Fortaleza foi testemunha no processo realizado contra os dirigentes da Federação Universitária hoje na LBI? Consta ou não nos Tribunais do Ceará esse fato de cumplicidade com a polícia e a Justiça burguesa?" Como se vê, Gamboa se convenceu de que houve um processo e que militantes do POR testemunharam contra a LBI. Por isso, exige do POR que diga sim ou não. Pois bem, mostramos a Gamboa que nada disso existiu.

De onde então Gamboa tirou tal informação? Evidentemente da reunião com a LBI que lhe disse que um militante do POR teria prestado testemunho e, posteriormente, do folheto da LBI "Balanço das jornadas de discussão entre a LBI e o POR argentino". Frente a isso, o POR recorreu a todas as fontes possíveis para mostrar que não houve qualquer testemunho, incluindo uma carta dos ex-militantes R e T. Como se vê, não se trata de uma campanha do POR contra a LBI, mas uma legítima atitude de defesa de sua moral revolucionária contra os difamadores.

Vejamos agora os novos volteios dos coitadinhos perseguidos pelo POR. Acossada, a LBI procura fugir como criança por entre as pernas daquele que a cerca. Diz na sua última versão: "A TPOR sabe muito bem que dedo-duro não registram suas delações em Boletins de Ocorrências policiais, muito pelo contrário, a maioria destes tipos prefere manter suas ações no mais absoluto sigilo e sem nunca deixar provas de tipo algum."

Quem acompanhou nosso cerco à LBI teria dúvida de que esta seria sua fuga definitiva? Não há nenhum indício da delação! Não há provas! E como fica a informação da LBI a Gamboa de que um militante do POR prestou depoimento? E a exigência de Gamboa que o POR provasse que não há nada nos Tribunais de Fortaleza? Que enrascada, não? Mas para a LBI não há nó que não desate. Pode muito bem dizer que o testemunho significa delação. Secreta. Pronto, aí está a saída para Gamboa e para si própria.

O redator do artigo (a militância sabe quem é) conseguiu a união perfeita da arte e da alquimia. O artista da LBI foi ao arsenal do ilusionismo arteiro. Mas como sustentar tamanha pataquada do acredite se quiser? A LBI dá o exemplo da delação da chacina da Lapa contra o PCdoB. E pergunta: "Por acaso os delatores da histórica chacina da Lapa, integrantes das próprias fileiras do PCdoB, registraram sua queixa em algum Boletim de Ocorrência?" A criança, agora, está com a cabeça presa entre as pernas do oponente e procura escapulir à força. O delator da Lapa não fez BO, mas deixou uma série de evidências para que pudesse ser denunciado como delator. O difamador do POR sabe que há no caso da Lapa evidências ou não? Ou simplesmente o PCdoB disse que foi delatado por um de seus membros sem nenhuma necessidade de evidência e demonstração? Nada disso! Houve uma apuração material da ligação do militante com a polícia. Imagine se esta fosse a situação. Alguém do PCdoB dissesse M. Vinhas delatou a reunião da Lapa. Perguntaríamos: como você sabe? E o acusador respondesse: o delator não deixa provas. Suponhamos ainda que o acusado se defendesse e exigisse provas, mostrando que toda sua trajetória foi correta. E o acusador respondesse: o delator não deixa provas. Como deveríamos encarar a discussão? Difamação.

Comparemos com a acusação da LBI. Primeiro, negou-se a responder em setembro de 97 nossa exigência de provas. Em seguida, explicou a Gamboa que um militante do POR depôs num processo. Depois, no folheto, confirma que dois militantes testemunharam para agentes da polícia. E agora no jornal Luta Operária, fev/98, dá a seguinte versão: o POR juntamente com o PSTU e PT fizeram uma campanha contra a LBI para "atrair a atenção de organismos de informação e repressão contra nossa corrente" (pág.17). (...) "Mas quando policiais foram buscar informações sobre o boato por esta escória, logo os militantes da TPOR, R e T, apressaram-se em fornecer informações sobre dados pessoais, de um dos militantes da LBI" (idem). Que maquinação! O POR fez uma campanha para atrair os órgãos de informação contra a LBI e os policiais foram a dois militantes do POR coletar informações. Depois, os policiais foram atrás da LBI. E como a LBI ficou sabendo que R e T foram os informantes? Só falta o sabichão da LBI revelar esta parte do quebra-cabeça. Talvez os policiais revelaram os nomes; talvez a LBI tenha deduzido das informações que só poderiam ser R e T; talvez uma outra fonte tenha dito quem foi o delator. Há mais algum talvez? O redator das respostas à nossa exigência de comprovação talvez já tenha pensado qual das alternativas seria melhor para o próximo capítulo da novela policial.

A LBI diz que a reivindicação do Coletivo dos Trabalhadores de que apresentasse um BO é no mínimo uma ingenuidade e no caso do POR uma canalhice política. Será que se trata de ingenuidade ou canalhice? Ocorre que a LBI não afirmou na reunião que não tinha prova alguma. Fugiu de responder concretamente a exigência de prova, dizendo que esta estava no folheto. Por que veio o pedido do BO? Porque os presentes têm a convicção de que o POR preserva sua moral revolucionária e não poderiam sequer chegar a supor uma delação secreta à polícia. A última versão da LBI de que não pode provar não foi dada na reunião. Quanto ao fato do POR exigir o BO, trata-se de uma mera dedução conveniente aos detratores. Em nossa denúncia de covardia da LBI, relatamos o pedido de apresentação do BO por alguns dos presentes. O POR não pediu um BO. Pediu que a LBI apresentasse provas. Já seria suficiente uma. Qualquer prova real.

Quem é a seita?

A LBI utiliza-se dos meios mais escusos contra o POR, como os que acabamos de demonstrar. Um outro é o de depreciar e desmoralizar. O título de sua matéria de caracterização "seita lorista" vem nesse sentido. Aceitamos o título de "lorista", como o de marxista-leninista-trotskista. A tentativa de criar a imagem do "lorismo" com nacionalismo etc. não vem da LBI, mas de antigos revisionistas como os pablistas, espartaquistas, morenistas etc. A LBI não consegue ser original nem mesmo na imbecilidade. A ignorância é uma marca dos acusadores do POR. A LBI não foge à regra.

O POR boliviano é, das correntes que se reivindicam do trotskismo, a que se destaca por uma extraordinária elaboração teórica marxista e por ter uma trajetória de crítica e autocrítica claríssima. Mas a LBI prefere a estupidez ao estudo rigoroso das posições do POR, que já tem publicado 41 tomos das Obras Completas de Guilhermo Lora, de onde vem o epíteto de lorismo.

Não vamos insistir no conhecido "método" de tomar algumas passagem ou situações para descarregar as baterias. Tomemos a mais nova descoberta da LBI. Diz que acobertamos a defesa do POR boliviano de "um governo do povo contra o governo fascista a serviço do imperialismo e dos antipátrias". O POR é um partido que tem programa e que critica as demais correntes por não tê-lo, o que as permite jogar com a estratégia. A revolução e ditadura proletárias são a essência do programa porista e a base de toda sua formulação política para as situações conjunturais. A fórmula de governo operário e camponês expressa a ditadura do proletariado. Este conteúdo estratégico é fundamentado na história do país, nas suas características, na dinâmica das classes etc. Há um vastíssimo material nas Obras Completas, que os ignorantes da LBI desprezam. Imagine só se, num artigo do Massas em que conclama a necessidade de um governo do povo, o POR estaria revisando a estratégia.

Mas será que a LBI leu no Massas boliviano citado e tirou sua apressada conclusão? Não, a direção dessa corrente copiou a "crítica" do Massas argentino, da fração Gamboa, esta sim revisionista. Repetem como papagaios o que nem mesmo viram, quanto menos estudaram. O interessante é que, no momento em que Gamboa soltava a novidade contra o POR boliviano, assinava um panfleto com o PTS cuja consigna era de "governo popular e dos trabalhadores". Criticado pela fração do Comitê de Enlace, fez uma autocrítica, publicada no Massas argentino. Mas os plagiadores brasileiros não se sentem na obrigação de dizer em que fonte se inspiraram. Depois acusam o POR/Brasil de ser uma seita lorista.

Tudo isso é para se rir. Mas como o nível político e ideológico é tão baixo entre as esquerdas, somos obrigados a rechaçar os zombeteiros. Como a LBI resolveu tratar do problema da estratégia não só do POR boliviano, mas também da sua própria, é bom que mostremos mais um fiapo de sua malandragem.

No objetivo de mostrar que os detratores somos nós, a LBI diz que uma das poucas críticas da TPOR foi a de caracterizar o rompimento da LBI com a Causa Operária de sem princípio, uma vez que saiu defendendo a mesma estratégia de governo dos trabalhadores. Procura, então, demonstrar que nossa crítica é falsa. Citemos a passagem: "Não rompemos com PCO defendendo o ‘governo dos trabalhadores’; em nosso primeiro jornal Luta Operária nº 0, (...) afirmava a defesa de um ‘governo das organizações operárias e camponesas’".

Olhem só quem nos acusa de formalidade! A LBI saiu de PCO sem a crítica estratégica à fórmula de governo dos trabalhadores. Isso é o fundamental. Assim, foi incapaz de travar a luta programática em torno da adaptação de PCO ao reformismo e ao frente populismo. PCO também maneja a consigna de poder ao bel-prazer, entre elas "governo das organizações operárias e camponesas". E seu dirigente Rui Pimenta (folheto "Paródia do Trotskismo") diz que tudo depende da criatividade exigida pela situação. Esta consigna não é a de governo operário e camponês, que só o partido marxista pode encarnar.

O argumento da LBI de que taticamente o partido pode usar várias formulações adequadas à conjuntura e ao momento histórico é do mesmo calibre oportunista de PCO (leia o folheto de Rui Pimenta — "Paródia do Trotskismo").

Tomemos uma outra denúncia da LBI. Referimo-nos à posição do POR frente à detenção de Pinochet pelo governo inglês. Diz: "Para a TPOR, a soberania do Chile teria sido ferida pela prisão de Pinochet em Londres, e para estes senhores Pinochet só poderia ser julgado no próprio Chile, o que corresponde a entregá-lo ao atual governo democrata-cristão e herdeiro político do regime militar". Como se vê, a LBI não reconhece que a prisão de Pinochet é quebra de soberania do Chile. Assume, neste ponto uma posição pró-imperialista. Já demonstramos inúmeras vezes que a LBI não distingue de fato países oprimidos e opressores. Não é capaz de travar a luta contra a opressão nacional. Está aí um caso concreto. Agora, o fato do POR reconhecer e denunciar a quebra de soberania não significa reconhecer e defender que cabe ao governo chileno julgar Pinochet. A conclusão da LBI, neste sentido, é pura malandragem. O nosso crítico omite o essencial: o POR defende a bandeira de constituição de um Tribunal Popular. Mostra que nem a burguesia imperialista e nem a chilena semicolonial irá punir o ditador. Esta é uma tarefa da classe operária em sua luta contra o Estado burguês. Qualquer militante ou trabalhador que acompanha nossas posições sabe que a bandeira dos Tribunais Populares é parte de nosso programa. Quem afinal é a seita?

A baixaria de seita apodrecida

A LBI não age apenas como seita no sentido de um agrupamento sectário em suas posições políticas. Não é apenas um jovem agrupamento que padece da doença infantil do ultraesquerdismo. Doença que pode ser superada pelo reconhecimento de seus erros. Não, a LBI é seita podre. Sua conduta dista muito da moral revolucionária. Difama o opositor, deforma e falsifica suas posições, inventa fatos e são copiadores de críticas alheias, evidentemente, sem citá-las. Assim não nos surpreende, o fato de seus dirigentes irem ao passado do POR e de seus militantes para tentar desmoralizá-los. Pretende passar a idéia de que seu núcleo inicial foi constituído de desclassificados, expulsos de CO "por questões de conduta". Que questões de conduta? A LBI não diz. Deixa que o leitor faça suas suposições, partindo evidentemente da calúnia de que o POR é delator de correntes de esquerda, que defende a entrega de Pinochet para o governo chileno o julgar etc. Mas o objetivo é atacar Atílio, retratando-o como um diletante, um adaptado à vida acomodada do pequeno burguês, um colaboracionista da Igreja, um burocrata sindical e um parlamentarista.

Mas como compor este retrato? Espalha pelo texto denúncias incríveis. Vejamos alguns dos atributos criados por alguma das mentes mais iluminadas da LBI. Diz que Atílio "por várias vezes quando militava ainda no interior de CO, afirmou que não estaria disposto a colocar em risco o seu emprego de professor universitário para dedicar-se a outras atribuições dadas pela organização". De onde o redator tirou esta informação? Por acaso ele ouviu, "por várias vezes", da boca de Atílio tal coisa? Leu em algum informe interno de CO? É fácil pôr no papel o que bem se entende. Outro traço da caricatura: afirma que quando participou na Apropuc, "desligou-se de CO para não se comprometer com deliberações da organização que porventura pudessem entrar em confronto com a Cúria Metropolitana da Igreja, mantenedora da PUC". De onde saiu tal coisa? Que deliberações foram essas (observem a formulação) "que porventura pudessem entrar em confronto com a Cúria metropolitana?" O redator bem informado muito bem poderia inventar uma qualquer, não? Por exemplo, roubar o cofre de Dom Evaristo Arns? Afinal, redator não tem a obrigação de provar nada. Por que o nosso difamador não fez um levantamento dos acontecimentos em que Atílio esteve à frente da Apropuc, no referido período. Esteve na cabeça da greve de quase 40 dias e da campanha pela estatização sem indenização da PUC. Defendeu o controle estudantil, docente e de funcionário baseado na Assembléia Universitária. Essa posição estaria de acordo com os interesses da Cúria e contra as supostas deliberações de CO?

Vejamos, por último, a estória do surgimento do POR. "O núcleo inicial da TPOR surgiu com o convite que o então vereador Manoel Boni (nessa altura afastado de CO por divergir do percentual de cotização do seu salário de parlamentar à organização) fez a Atílio para este assessorá-lo em sua campanha eleitoral em 1988. Atílio aceitou o convite, formando uma espécie de dupla política de descontentes com o dirigente de CO (...)". De onde, o iluminado tirou a informação de que Boni convidou Atílio para assessorá-lo? Sabemos a resposta: o mago deduziu que foi este o convite porque Boni saiu candidato. Tal dedução seria falsa. Boni relatou que CO estava burocratizado, com o que Atílio concordou, e que não dava para militar sem o partido. A discussão foi sobre a necessidade do partido. Quanto à possível dedução, Boni estava com seu registro cassado devido a processos referentes à ocupação de terra e a direção do PT fazia de tudo para afastar sua candidatura. Houve um intenso movimento em Diadema pelo direito de candidatura a Boni e outros militantes, se não nos equivocamos a de Romildo da Convergência Socialista. Isso de assessorar candidatura é pura calúnia contra Atílio e Boni, que enquanto foi vereador cumpriu seu dever revolucionário de organizar a ação direta dos explorados e valentemente organizou a ocupação da Vila Socialista. Rechaçamos a formulação de que "Manuel Boni saiu da TPOR sob a pecha de delator". O ex-camarada cometeu um grave erro de princípio e não reconheceu. A "pecha de delator" atribuída a Boni cabe à LBI.

Vamos a mais uma mentira: "Logo, a dupla elaborou um documento onde reivindicava seu retorno à Causa Operária mediante uma mudança na condução que Rui Pimenta imprimia à organização". A redação foi feita por Atílio. Boni era contra a volta a CO. A construção do novo núcleo partidário estava condicionado à defesa da volta, tendo por base a autocrítica de Atílio por ter rompido com CO sem travar a luta contra sua burocratização, como se entendia no momento. O documento, superficial e elementar visto hoje, tinha a caracterização de burocratização e não condicionava a mudança da política da direção para o retorno, apontava a luta contra a burocratização. Depois de esgotada a possibilidade de volta a CO é que iniciaram propriamente a construção do novo agrupamento, justamente porque Atílio compreendeu através de seus próprios erros que não se inicia outro partido sem justificativa estratégica.

Naquele momento, sua compreensão não alcançava entender a revisão estratégica que se operava sob a burocratização. E aqui está a única verdade da LBI. Atílio ainda estava iludido que o que se passava na direção de CO (relação de camarilha e combate a seu trabalho operário no Sindicato dos Frios) era um desvio de orientação, cuja responsabilidade também era de PO. Este erro foi sendo corrigido na relação com o POR boliviano e analisando o desenvolvimento do Comitê Construtor do POR (Argentina). Mas isso foi possível porque verificamos a revisão estratégica de CO, que passou a adotar a consigna morenista de governo dos trabalhadores. O mesmo se passando com PO legalizado. No Congresso de Fundação, fizemos a crítica estratégica, confirmada até hoje. E é preciso que se diga que Atílio fez a autocrítica de suas fraquezas ao abandonar a linha de resistência contra a burocratização da direção de CO, contra o que redigiu apenas um documento crítico. Esmeramo-nos em expor esse processo para mostrar o quanto a LBI mutila os fatos, inventa e difama. Entretanto, conforme Trotsky já havia demonstrado no seu texto "O novo curso" (será que o mago da LBI leu?), é a conduta militante presente que mais tem a dizer; e o futuro a confirmará tanto para o POR quanto para a LBI caluniadora.

De onde vem a "cortina de fumaça"

No longo artigo, dedicado a responder nossa acusação de que a LBI não apresentou provas diante das correntes reunidas no Congresso da CNTE, o redator quer passar a idéia de que estamos utilizando nossa denúncia de difamação como "cortina de fumaça" para acobertar divergências políticas. O matreiro quer inverter a situação. Faz longos volteios, amalgama fatos distantes, mistura interpretações, deforma posições e esquematiza. Tudo isso para, no meio do longo artigo, dizer que não tem provas porque os delatores de correntes não as deixam. O que a LBI deveria fazer era atender a exigência do POR de provas. E responder o pedido das correntes presentes na reunião de apresentar uma só que fosse. Nesse segundo caso, a LBI se agarrou ao pedido do BO para elaborar a idéia de que delatores de correntes não deixam rastros. Os caluniadores querem que as correntes acreditem em suas palavras e ponto final. O artigo chega a zombar da inteligência mais elementar. Tem a desfaçatez de fazer desafios. Vejam só: "Desafiamos publicamente a qualquer militante de esquerda, em particular os companheiros do CT, que procurem ‘provas’ junto aos ativistas do movimento estudantil da UECE no período de 95-96, para saberem qual foi a verdadeira posição dos ex-militantes da TPOR R e T, naquela ocasião". Uma beleza, não? As correntes pedem provas e a LBI as exorta a irem ao Ceará buscá-las na boca dos ativistas estudantis de 1995-96. Num delírio hipócrita se diz disposta a se submeter a uma comissão de investigação. Obviamente, diz apenas no papel, na prática fugirá, como fez no Congresso da CNTE.

O emaranhado de acusações contra o POR tem a função de mostrar assim: uma corrente podre politicamente é uma corrente capaz de ser delatora. Aí está a "puteada" (termo utilizado corretamente por Gamboa em relação a LBI). Vejamos uma colocação que diz tudo: "Para a LBI, não é de se estranhar que no seio de um grupo que reivindica a inclusão da polícia assassina, como instituição em seu conjunto, no interior de uma frente política, FUA, possa se desenvolver, em seu ventre, militantes com comprovada vocação a colaboração com agentes policiais". Por aí se vê como o difamador é um provocador. Toma uma formulação do POR boliviano fora do contexto e daí deriva que o POR brasileiro é colaborador da polícia assassina e que por isso em seu seio se desenvolveu militantes delatores. Está aí todo o sentido do longo artigo. Quer que o leitor e, por ventura, alguns de seus militantes sensibilizados pela exigência do POR, aceite a ligação de que a nossa política resulta em um viveiro de delatores.

Não há melhor retrato do difamador do que o artigo "A cortina de fumaça da seita lorista no Brasil". Não há melhor retrato do caluniador do que suas próprias falsificações políticas.



Calúnia, falsificação e oportunismo são o abc da seita lorista no Brasil

* Artigo extraído do Jornal Luta Operária n. 34 (abril/99)

Em seu último artigo contra a LBI, a TPOR conseguiu pelo menos a proeza de revelar por inteiro a essência política de sua seita: falsificação e calúnia como método e o grotesco oportunismo como linha política. Os leitores que vêm acompanhando a polêmica entre a LBI e a TPOR, acerca de nossa denúncia que militantes da TPOR delataram a LBI a agentes policiais, puderam constatar o desespero desta corrente expressa em suas cartas abertas e encartes especiais, ao serem flagrados despidos de sua maquiagem tradicional de puritanos messiânicos, que erroneamente tendem a ser considerados inofensivos pela sua postura de prostração contemplativa diante do mundo. Não se deve esquecer que foram os falsos "puritanos" que comandaram a Santa Inquisição; as marchas "com Deus pela família", clamando pelo golpe militar no Brasil; e mais recentemente estiveram à frente das mobilizações contra-revolucionárias que levaram à destruição da antiga URSS, desenterrando a figura do sinistro Rasputin. Alertamos que as versões de "esquerda" do puritanismo messiânico não são menos perigosas, exceto pela sua proporção liliputiana.

Como uma seita composta originalmente por indivíduos "quebrados" pela luta de classes, o artigo da TPOR contra a LBI reflete a fanfarronice própria dos impotentes. "Acossada (pela TPOR – NR), a LBI procura fugir como criança por entre as pernas daquele que a cerca" e mais, "A criança, agora, está com a cabeça presa entre as pernas do oponente e procura escapulir à força" (encarte do jornal Massas, nº 169). Todo impotente é também covarde e mentiroso. Essa é uma regra que se aplica integralmente ao dirigente, se é que pode-se atribuir este título a um rato do calibre do Sr. Atílio (Totó).

Estaria então a LBI presa entre as pernas da microseita lorista? Esta verdadeira "potência" que em seus dez anos de existência no Brasil não consegue dirigir um único sindicato, nem sequer um centro acadêmico ou um grêmio estudantil. Talvez, com alguma "sorte", a TPOR consiga eleger o Sr. Atílio como síndico do condomínio em que reside. Afirmamos que seria uma questão de "sorte" porque não se trata de uma corrente, mesmo extremamente minoritária, que luta com determinação por aquilo que considera justo politicamente, e por isso sofre a discriminação dos burocratas e reformistas pelo seu principismo político. O caso da TPOR é outro. Trata-se de um agrupamento apático e moribundo que, por exemplo, foi capaz de entrar mudo e sair calado do último Congresso Nacional da CUT, apesar de ter uma delegada e uma declaração política àquele Congresso, um dos eventos mais decisivos para o movimento operário brasileiro. Seria realmente muito difícil fazer crer para algum ativista do movimento operário e popular que a TPOR fosse capaz de "prender em suas pernas", digamos não a LBI, mas qualquer organização política com um mínimo de disposição militante.

Mas vamos diretamente ao âmago da questão para não causar muitas náuseas em nossos leitores com a podridão que permeia o interior do verme decomposto chamado TPOR. Para os loristas, a acusação de delação à polícia feita pela LBI aos militantes da TPOR não passaria de uma mentira, a LBI não teria provas materiais, como um Boletim de Ocorrência para sustentar tal denúncia. Para começar, causa no mínimo estranheza o fato da TPOR utilizar matéria de outra corrente política – o POR argentino – para afirmar que "Pela primeira vez, tivemos uma versão da LBI. A de que um militante da TPOR teria prestado testemunho. Releiam a informação de Gamboa (dirigente do POR argentino – NR) acima em negrito." (encarte do jornal Massas nº169 - grifo nosso). Trata-se de uma tremenda fraude e atentado à inteligência humana afirmar que conheceu pela primeira vez a versão da denúncia da LBI, citando o relato de outra corrente. Seria o mesmo que criticar uma determinada posição de um agrupamento, citando o periódico de outro grupo como se fosse o seu.

Nunca a LBI divulgou versão de que os militantes delatores da TPOR teriam testemunhado em um processo judicial contra a LBI, o que afirmamos é que a delação da TPOR contra a LBI, de que teríamos roubado computadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE), fez com que a reitoria desta universidade aventasse a possibilidade de abrir um processo contra nós, o que não foi em frente pelo absurdo completo destas acusações. O artigo de Gamboa não é de autoria da LBI, portanto, não passa de uma desonestidade creditá-lo como sendo nosso. Além disso, é perfeitamente compreensível que o camarada Gamboa tenha se equivocado parcialmente em seu relato, estando a mais de 30.000 Km de distância da Universidade Estadual do Ceará e, tendo tomado conhecimento pela primeira vez deste episódio em sua última viagem ao Brasil, não consiga descrever com absoluta precisão o informe recebido tanto da TPOR, como da LBI.

Em nosso artigo anterior, desmoralizamos a posição da TPOR de exigir-nos como prova de sua delação um Boletim de Ocorrência policial (B.O.), como sendo a demonstração da admissão de sua própria culpa (delação) neste caso (somente idiotas podem supor que delatores registram seus atos em B.O.). Agora, a TPOR tenta voltar atrás, dizendo que "não pediu um BO. Pediu que a LBI apresentasse provas." (idem). Pedimos aos leitores que busquem, se for possível, no próprio jornal da TPOR nº166 a defesa que fazem da apresentação de um B.O. para comprovarem in loco a picaretagem desta "corrente". Mas a TPOR não consegue sequer manter a coerência dentro de seu próprio artigo (existe um ditado popular que diz que todo mentiroso tem memória curta). Há algumas linhas atrás, citamos trechos do encarte da TPOR, onde demonstra-se ansiosa por provas que possam ser apresentadas pela LBI; já no final de seu artigo, queixa-se da LBI por convidar todas as correntes a buscarem as provas necessárias contra a delação da TPOR no próprio local onde estas ocorreram, ou seja, na Universidade Estadual do Ceará. Vejamos o lamento da TPOR: "Uma beleza, não? As correntes pedem provas e a LBI as exorta a irem ao Ceará buscá-las" (idem).

Por acaso, o Sr. Atílio pretende que a LBI forneça as provas da delação da TPOR para as "correntes"(?) desde o seu gabinete de intelectual puciano (parafraseando o próprio Guillermo Lora) no bairro de Perdizes em São Paulo? Se todos os fatos que envolvem este caso ocorreram na Universidade Estadual do Ceará, porque o espanto quando a LBI desafia os embusteiros a serem desmascarados no próprio local onde ocorreu a delação? A resposta é mais do que evidente, qualquer corrente (ou uma comissão, como foi proposta pela LBI e rejeitada pela TPOR) que se disponha a pesquisar seriamente os acontecimentos, descrobrirá facilmente entre nossos próprios adversários políticos (e, portanto, insuspeitos), que os militantes R. e T. estavam na linha de frente das fofocas e boatos de que a LBI teria usurpado computadores da UECE. Esta constatação já é bastante por si só para demolir a carta assinada por estes elementos, onde afirmam nunca terem acusado a LBI de roubo. Quanto ao segundo passo, para comprovar a própria delação da TPOR feita a agentes policiais que foram averiguar a veracidade dos boatos espalhados pela frente anti-LBI (TPOR, Articulação, PSTU) na UECE, também não seria difícil, pois existem testemunhas da conversa travada entre R. e T. e os policiais. Portanto, redobramos o nosso chamado à TPOR e qualquer outra corrente interessada verdadeiramente em colher provas (Coletivo dos Trabalhadores, LOI etc.) que formem uma comissão e investiguem os fatos ocorridos na própria na Universidade Estadual do Ceará! Será que o Sr. Atílio tem algum preconceito contra o Nordeste, ou não quer obter prova nenhuma, para ficar tão indignado com a "exortação" da LBI a "irem ao Ceará"?!

Mais uma vez, a origem política da TPOR

Quando afirmamos que a seita lorista foi formada originalmente a partir de ex-militantes da Causa Operária (CO) já quebrados pela luta de classes, não se trata de um xingamento ou mesmo de uma desqualificação a mais no calor de uma polêmica entre oponentes. O próprio fato da TPOR surgir não como um racha de CO, mas sim como o ajuntamento de militantes já há muito tempo afastados de CO comprova o que sustentamos. Partimos desta caracterização, tendo como base o próprio conhecimento que tivemos de muitos dos seus membros quando ainda estavam no interior de CO.

Em seu artigo, a seita lorista questionou a afirmação feita pela LBI de que "a TPOR surgiu no início de 89 como um agrupamento de ex-militantes de CO que em grande parte tinham sido expulsos já há algum tempo por uma comissão de controle por questões de conduta" (jornal Luta Operária nº33). A TPOR, então, nos perguntou "que questões de conduta? A LBI não diz" (encarte do jornal Massas nº169). É verdade, a LBI procurou não exaurir nossos leitores com a enlameada ficha pregressa dos membros que foram expulsos de CO por questões de conduta. Mas como o Sr. Atílio solicita, poderemos dar como exemplo, para não sermos muito cansativos, o caso do ex-membro da direção de Causa Operária, o Sr. Werner, atual 2º nome na hierarquia (se é que os loristas concebem este conceito leninista) da TPOR. O Sr. Werner, como membro do Comitê Central de CO, foi deslocado para organizar o aparato gráfico que CO estava montando (em razão de seu Know-how neste setor) e para isso seria necessária a sua profissionalização, para que pudesse dedicar-se a esta tarefa em tempo integral. Pois bem, o Sr. Werner recusou-se a aceitar a missão votada, chegando mesmo a afirmar que não se subordinaria de forma alguma ao centralismo democrático da direção de CO. A partir de sua decisão (incompatível, digamos com um recém-ingresso em uma organização leninista, imaginem tomada por um membro da direção nacional de CO), não restou outra alternativa a não ser rebaixar o Sr. Werner, excluindo-o da direção nacional de CO. Desde então, este iniciou um curso de decomposição política, resultando inclusive na abertura de uma comissão de controle que levou ao seu afastamento de CO. O mais grave, porém, não é em si a decisão de Werner em declinar de uma tarefa votada por CO, esta poderia ser produto de uma indisciplina "juvenil", ou mesmo insegurança em abraçar a tarefa que lhe incubiam. Nestes casos, poderiam admitir-se até outras sanções alternativas por parte da direção nacional de CO. O grave mesmo foi o motivo que levou Werner a não aceitar a sua profissionalização, alegando que não estava disposto a abandonar o gerenciamento da empresa gráfica de propriedade de sua família, função que desempenha até hoje, sem que o próprio dirigente máximo de sua corrente, Guillermo Lora, tenha conhecimento de suas atribuições empresariais no ramo gráfico.

Somos forçados a relatar questões deste tipo para que se possa aferir politicamente a verdadeira essência de grupos revisionistas como a TPOR que negam a necessidade da profissionalização (remuneração pelos fundos do partido) dos quadros dirigentes de um partido revolucionário. Mais do que um viés teórico equivocado, ou uma suposta rejeição ao risco de burocratização partidária, encontraremos as verdadeiras razões de classe desta negativa no papel social protagonizado por estes senhores. Não é por coincidência, ou equívoco teórico, que a TPOR nega com tanta veemência a tese leninista da profissionalização dos quadros mais destacados do partido — afinal não seria um "bom negócio" para os Srs. Atílio e Werner.

Mas não só ocorrem casos em que "militantes" recusam a profissionali-zação política em função de manterem seus próprios negócios particulares, a margem do controle do partido. Temos pleno conhecimento que as aspirações de grande parte dos quadros da esquerda pequeno-burguesa é tornarem-se professores universitários para obterem o título de "intelectual marxista", aferido por uma instituição terciária. Também não temos nada contra os professores universitários (hoje muito poucos) que realmente se colocam na defesa do marxismo revolucionário diante da charlatanice acadêmica em moda (ecletismo, nova esquerda, neomarxismo etc. etc.). O que não podemos admitir é que a aspiração dos quadros de um partido que se diz trotskista, seja adentrar na academia para converterem-se em diletantes acomodados. Seria muito difícil imaginar o partido bolchevique, ou a Quarta Internacional, fundada por Trotsky, dirigida por professores universitários. Este foi o caminho da social-democracia européia, tão em voga no Brasil, e seria criminoso admitir que um autêntico partido revolucionário seguisse esta trilha.

Mas voltando à origem da TPOR, também mencionamos o caso do então vereador Manoel Boni, que saiu de CO por recusar-se a cotizar seu salário para o caixa da organização (uma regra básica adotada pela III Internacional). Vejam o extraordinário fio condutor que ligava os três dirigentes da TPOR. Boni saiu da TPOR em março de 1996 acusado pela sua tendência de delatar à polícia uma ocupação de um terreno urbano, comprado por uma cooperativa. Mas como já afirmamos, os mentirosos e falsificadores têm memória muito curta. Hoje, a TPOR já esqueceu da gravíssima acusação que fez a Boni em 1996, e ainda critica a LBI por atribuir a Boni esta "pecha" de delator. Vejamos o que afirma hoje a TPOR: "Rechaçamos a formulação da LBI de que ‘Manoel Boni saiu da TPOR sob a pecha de delator’. O ex-camarada cometeu um grave erro de princípio e não reconheceu. A ‘pecha de delator’ atribuída a Boni cabe à LBI" (encarte do jornal Massas nº 169). Agora, vejamos o que a TPOR afirmou há três anos atrás em seu jornal Massas nº 106: "A delação da ocupação que haveria sobre o terreno comprado pelo Movimento Socialista Independente não foi um simples erro" (grifos nossos). E mais: "dirigir um movimento para a compra de um terreno, substituindo a ação direta e delatar uma ocupação a um capitalista são erros capitais" (idem, grifos nossos). E para concluir, no mesmo jornal, sentenciam o seguinte: "O CC (Comitê Central) considera que a denúncia feita ao dono da terra e o conseqüente acionamento da polícia rompe com o princípio revolucionário do proletariado" (idem, grifo nosso). É incrível como a TPOR considerava ontem Boni como um delator que acionou a polícia contra uma ocupação de terreno e hoje, passados três anos, é um "ex-camarada" que cometeu apenas um "erro". É por isto que também esqueceram a delação de seus ex-militantes R. e T. contra a LBI, afinal, esta ocorreu em 1995, talvez um tempo muito distante para os farsantes loristas gravarem em suas curtas memórias atitudes tão "insignificantes" como a delação de adversários políticos à polícia.

O Títere do messias boliviano

Desde que surgiu no Brasil, a TPOR ocupou a função de uma pequena capela, sucursal da hoje decadente catedral do altiplano boliviano, limitando-se a reproduzir mecanicamente as fórmulas revisionistas e frentepopulistas do "messias" Guillermo Lora. Este considera que a Bolívia hoje é o centro da revolução mundial. Observem as sandices que são aceitas como reais pelos loristas: "Na Bolívia, o trotskismo é a direção revolucionária indiscutível... este fenômeno... por que somente se dá na Bolívia e não assim em outros países?" (jornal Masas, nº 1655 - POR/Bolívia). A seita só não consegue encontrar explicação para o fato do POR ser "direção revolucionária indiscutível" na Bolívia e não passar de duas dúzias de militantes.

Todas as críticas políticas pela esquerda, ou pela direita, ao POR boliviano são rebatidas com a mesma fórmula, tomada emprestada, aliás, do stalinismo, qual seja: se todas as forças políticas combatem o ‘glorioso" POR, logo todas são iguais. É um plágio grosseiro da "lógica" stalinista que afirmava que tanto o trotskismo, como o imperialismo eram iguais, pois tinham em comum a crítica à URSS. Várias gerações foram "educadas" sob esta "lógica" utilizada para isolar os trotskistas e seu combate programático à burocratização da URSS, das novas camadas de ativistas surgidas no movimento comunista internacional. A única diferença com o stalinismo é que o estratagema defensivo utilizado pelo POR para "proteger" sua base da crítica revolucionária ao lorismo só consegue vacinar poucas dezenas de militantes limitados ao Brasil e à Bolívia.

O curioso mesmo é que para o caudilho Lora, todo o malabarismo revisionista é permitido. O que nas outras correntes políticas é considerado puro oportunismo, para o POR boliviano seria pura imaginação. Senão vejamos: uma das críticas feitas pela TPOR à LBI é de que esta não repete sempre como uma matraca a mesma consígnia "ditadura do proletariado". Ao defender a bandeira de "governo das organizações operárias e camponesas", fomos acusados pela TPOR de "manejar a consígnia de poder ao bel-prazer, entre elas, governo das organizações operárias e camponesas" (encarte do jornal Massas nº 169). Tudo bem, em alguns momentos, a LBI não usou a fórmula clássica "governo operário e camponês", utilizou uma formulação similar e que tem o mesmo conteúdo, ou seja, o chamado a uma frente única operária pela tomada do poder, voltada a acelerar o desgaste das direções majoritárias do movimento operário, que se recusam a romper com a estrutura do Estado burguês, via de regra, pela adoção de um governo de unidade nacional (frente popular). Olhando um pouco para trás, verificamos que nossos críticos não são tão ortodoxos em sua própria casa, a Bolívia. Lá defendem, ao seu "bel-prazer", consígnias como "governo do povo contra o governo fascista" (Masas, nº 403), numa descarada formulação stalinista, de unir todas as forças democráticas, burguesia progressista e proletariado, em um bloco de poder contra a direita reacionária. Mas para a TPOR brasileira, as intenções do POR boliviano estão acima de sua política, e para justificar tal posição tem a cara-de-pau de afirmar: "Imagine só se, no artigo do Massas em que conclama a necessidade de um governo do povo, o POR estaria revisando a estratégia" (encarte do jornal Massas, nº 169 – grifos nossos). Parece inacreditável o cretinismo, quando o POR boliviano defende o "governo do povo" não revisa a estratégia, quando a LBI defende o "governo das organizações operárias e camponesas" está abandonando a estratégia. É preciso ter muita paciência com uma charlatanice deste quilate.

A coisa não pára por aí. Até a própria crítica da LBI à elaboração do POR boliviano de "governo do povo" foi taxada de uma cópia da crítica de Gustavo Gamboa a Guillermo Lora. Diz a TPOR: "a direção desta corrente (LBI - NR) copiou a ‘crítica’ do Massas argentino, da fração Gamboa, esta sim revisionista. Repetem como papagaios o que nem mesmo viram" (encarte do jornal Massas, nº 169).

Além de "papagaio", a LBI deveria também ser taxada de "vidente", pois nossas críticas a Lora foram feitas em 1995, portanto, bem antes que Gamboa as fizesse, como podemos comprovar através da edição nº 6 (dez/95) do jornal Luta Operária, onde afirmamos o seguinte: "Vencem os golpistas, o Gal. Torres foi derrubado e o Cel. Barrientos assume o poder... O POR chama à construção de uma nova FRA (Frente Revolucionária Antiimperialista) com o Gal. Torres, Lechin, PCB, PRIN etc., ‘por um governo do povo contra o governo fascista a serviço do imperialismo e dos antipátrias’ (Masas nº 403, 11/71), enquanto a rebelião operária é afogada em sangue" (jornal Luta Operária nº 6, dez/95). Como poderíamos copiar feito "papagaios" a crítica de Gustavo Gamboa quando este em 1995 ainda não externava qualquer crítica pública ao POR boliviano? Melhor seria que a TPOR calasse um pouco sua boca até para melhor preparar suas falsificações grosseiras contra a LBI.

Por falar em "cópia", quem tem toda a autoridade neste assunto é a própria TPOR, um dublê de segunda linha do POR boliviano, que sequer tem a coragem de defender abertamente as aberrações de sua matriz no altiplano. É assim que de forma covarde tangenciam se estão ou não de acordo com a tese de Lora de que "uma frente antiimperialista pode englobar a polícia em seu conjunto, como instituição e não unicamente a facção antiimperialista" (Guillermo Lora, Resposta ao impostor Nahuel Moreno, p.48). A TPOR diante de tamanha excrescência sai de fininho para balbuciar uma tímida defesa de Lora: "Toma (a LBI-NR) uma formulação do POR boliviano fora do contexto" (Encarte do jornal Massas, nº 169). Na verdade, Lora tem o mérito de dizer aos quatro ventos a verdadeira essência política de sua defesa da frente antiimperialista, uma aliança política policlassista que deve excluir a direita pró-imperialista. Admite-se neste arco até os setores fascistas da polícia, desde que sejam "nacionalistas", isto tudo justificado a partir da excepcionalidade do país boliviano que teria um exército e uma polícia antiimperialista. O duro mesmo é a TPOR adaptar estas idiotices reformistas para o seu rosário supostamente esquerdista aqui no Brasil.

Um combate sem tréguas ao revisionismo

O desespero e a campanha de falsificações da TPOR contra a LBI tem nome e sobrenome. Trata-se de uma reação ao processo de aproximação político-programatica que está se desenvolvendo entre a LBI e o POR argentino. Os camaradas portenhos foram responsáveis pela fundação do antigo Comitê de Enlace, que envolvia o POR boliviano, argentino e a TPOR no Brasil. Eram sem sombra de dúvida a seção mais ativa do moribundo Comitê de Enlace. Agora, só resta para Lora descarregar seus ataques histéricos nas costas do pobre Atílio (Bacherer foi expulso e Gamboa foi excluído), que não sabemos se agüentará por muito tempo este fardo. Por outro lado, a LBI e o POR argentino acabam de firmar conjuntamente uma convocatória para a realização de uma jornada de debates internacionais pela reconstrução da IV Internacional, um primeiro passo, porém muito importante, para a formação de uma nova tendência quarta-internacionalista, principista e revolucionária, em um momento onde os velhos troncos do trotskismo revisionista começam a ruir por inteiro.

A LBI, sem nenhum espírito autoproclamatório ou exitista, considerando-se uma organização revolucionária em um estágio embrionário de construção, que enfrenta enormes dificuldades políticas desde o seu surgimento (não vivenciamos etapas de ascenso da luta de classes como as greves operárias de 78, o movimento Diretas Já em 1984, a campanha multitudinária presidencial em 89, ou mesmo o Fora Collor de 1992, pelo contrário, nascemos em 1995, um marco no processo de refluxo do movimento operário que se estende até hoje, com a derrota da greve dos petroleiros), manterá vivo o combate programático contra toda sorte de revisionistas e farsantes, que falam em nome da IV Internacional. Desde já, reconhecemos como merecido o ódio que as correntes traidoras e oportunistas (independente de sua expressão numérica) nutrem por nós. É o que indica que estamos no caminho correto para a construção de um autêntico Partido Operário Revolucionário no Brasil. Afinal, "copiando" Cervantes, a LBI poderia dizer: os cavaleiros passam, os cães ladram, é o sinal de que estamos vivos!



Artigo do POR em resposta à LBI, publicado no jornal Masas boliviano nº 1658, maio de 1999

Resposta obrigatória às camarilhas que se apropriam do alheio para se apresentarem como ‘Revolucionárias’ ultra-esquerdistas; pagamos alguns centavos pelos riscos próprios de nosso ofício

Não saberíamos dizer quanto papel utilizou até agora a LBI (Brasil) em seu projeto, certamente que frustrado, de apresentar o POR da Bolívia como uma organização que violentou o programa da Quarta Internacional e se afastou do método contido no Programa de Transição.

O POR – que tem uma larga e riquíssima história cheia de ensinamentos, de derrotas e vitórias – sabe usar devidamente o método do materialismo histórico, o que lhe tem permitido revelar as leis do desenvolvimento e transformação do país que deve revolucionar. Constitui o fator fundamental da derrota inferida pelo plano ideológico, passo importantíssimo na luta que conduz à conquista do poder político. Isto parece como finalidade estratégica e como tática no programa partidário. É uma lástima que os que abusivamente se apresentam como trotskistas demonstrem incapacidade total quando se trata da elaboração do programa (expressão política da consciência de classe do proletariado) para os países em que atuam.

Os nossos críticos se mostram defensores do revisionista argentino Moreno, que peregrinou pelas mais diversas tendas políticas e acabou como social-democrata puro. Nossos críticos não são mais que pára-choques, o que é lamentável.

Atribuem-nos o que lhes ocorre. Dizem que buscamos unirmos com polícias e militares, assim em geral, os atrevidos insinuam que trocamos o proletariado pelos militares.

Na COB (Central Operária Boliviana) da primeira época estavam representados os carabineiros, isto quando o exército fora destruído. Na FRA (Frente Revolucionária Antiimperialista) esteve presente um pequeno grupo dos setores radicais das forças armadas. Uma das particularidades da Bolívia está na existência de uma corrente militar que se reivindica do trotskismo. Com esta tendência, discutimos publicamente para evitar o perigo do golpismo. A frente antiimperialista é leninismo e não a frente popular que sustentou Moreno. A FRA foi uma frente ampla dentro do programa porista.



Resposta a uma fraude chamada Guillermo Lora

* Artigo extraído do Jornal Luta Operária n. 35 (junho/99)

Como se sentiu incapaz politicamente para responder as críticas demolidoras feitas pela LBI, a seita lorista no Brasil (TPOR) foi obrigada a recorrer ao próprio POR boliviano para que se encarregasse desta "tarefa", já que lhe parecia muito difícil e oneroso justificar as piruetas antimarxistas de sua capela matriz.

Mas como Guilhermo Lora nunca teve muitos escrúpulos mesmo, para defender sua política de adaptação descarada ao nacionalismo burguês, sua resposta à LBI acabou transformando-se em uma pérola do pensamento anti-trotskista (proto-stalinista), confirmando plenamente tudo o que afirmamos em nossas críticas anteriores. Exatamente por isso resolvemos reproduzir na íntegra a referida resposta do POR boliviano à LBI, para que nossos leitores e simpatizantes possam aferir, por conta própria, o grau de oportunismo político desta corrente.

Para iniciar sua "resposta", Lora segue a cartilha clássica do stalinismo e desqualifica seu oponente com uma pesada carga de falsificação. Até aí nenhuma grande novidade. O diferencial lorista reside em que este inovou o estuário da fraude quando apresentou a LBI como sendo: "defensores do revisionista argentino Moreno". Parece inacreditável que a LBI seja acusada de "morenista" (os morenistas espalhados pelo mundo — LIT, UIT, CITO — se tomarem conhecimento deste disparate, nunca perdoarão a LBI por ser uma fictícia filha tão ingrata, a que mais combate Moreno entre todo o arco de seus críticos), mas o objetivo de tamanha insanidade é apresentar uma nova organização política de outro país (Brasil) a seu público interno boliviano, com qualquer rótulo que melhor lhe convier. Também revela um desprezo de Lora pela sua própria militância do POR boliviano que, para ele, pode ser manipulada e enganada a seu bel prazer.

Mas deixemos de lado o que já era esperado e entremos logo no escasso, porém revelador conteúdo político do artigo porista. Para esquivar-se da ácida crítica feita pela LBI que denunciou a concepção abertamente anti-marxista de Lora por este advogar, entre outras aberrações, o seguinte: "uma frente antiimpe-rialista pode englobar a polícia em seu conjunto, como instituição, e não unicamente a facção antifascista" (G.LORA, Resposta ao impostor Nahuel Moreno, pg.48), a resposta atual dada por Lora o atola ainda mais no pântano nacionalista. Lora chega ao absurdo de afirmar: "uma das particularidades da Bolívia está na existência de uma corrente militar que reivindica o trotskismo. Com esta tendência discutimos publicamente para evitar o perigo do golpismo". Suponhamos que fosse verdade a existência de uma corrente militar trotskista na Bolívia, por que então apenas discutir com estes "trotskistas" uma ação contra o "perigo do golpismo"? Será que Lora não "sabe" que a essência programática de qualquer "corrente trotskista", ainda mais quando se trata de uma facção militar, deveria ser a luta pela tomada do poder das mãos da burguesia. Por acaso a história da Bolívia, permeada de quarteladas, não revelou que "frentes antigolpistas"são absolutamente inócuas e trouxeram consequências trágicas ao proletariado do país altiplano?

Esta suposta "corrente trotskista" não passa de uma ficção reformista do próprio Lora que, por muito tempo, fez crer que generais e altos comandantes das FFAA seriam patriotas e nacionalistas, além de terem a capacidade de barrar golpes militares orientados pela CIA norte americana. Foi por isso que confiou que o governo do general Torres (1971) poderia obstruir a marcha golpista do gorila Banzer e pior ainda, no exílio, após o golpe, chegou a integrar um "governo paralelo", encabeçado pelo mesmo impotente e foribundo Gal.Torres.

Um genuíno partido revolucionário não pode depositar um milímetro sequer de ilusão em setores nacionalistas e "anti-golpistas" do alto comando das FFAA seja na Bolívia ou em qualquer outro país do mundo. Deve, ao contrário, lutar pela destruição das FFAA em seu conjunto como instituição mestra do estado burguês, aproveitando as etapas revolucionárias para atrair elementos subalternos das FFAA que se descolam da disciplina militar burguesa, somando-os à construção de um novo poder soviético, composto por destacamentos de operários e camponeses armados.

A receita stalinista, requentada por Lora, de estabelecer frentes políticas com oficiais progressistas (já que é este o verdadeiro caráter da "corrente militar trotskista") desembocou nas piores derrotas do proletariado latino americano, devendo servir como lição a todo militante honesto que luta pela revolução proletária.