domingo, 29 de dezembro de 2019

NOSSA HOMENAGEM CRÍTICA AO TITÃ DA PINTURA, CANDIDO PORTINARI: O DIA EM QUE O JOVEM TROTSKISTA MÁRIO PEDROSA “DESCOLORIU” O ÍDOLO DA INTELECTUALIDADE STALINISTA
  

Em 29 de Dezembro de 1903 nascia Candido Portinari, um dos grandes nomes das artes plásticas brasileira. Portinari teve em toda sua trajetória como artista um forte apelo as questões sociais, ao cotidiano da classe trabalhadora, seus dramas, suas dificuldades, suas lutas. As questões sociais, sempre presentes em sua obra, o influenciaram em sua vida política. Portinari foi simpatizante do PCB, onde inclusive foi candidato a deputado federal e a senador no final dos anos 1940. Morreu em 1953 devido a intoxicação pelas tintas que utilizava nas telas. Ele foi o grande arauto da arte contemporânea brasileira na década de 1940, um titã da cultura nacional. Conforme muito bem caracterizaria Ferreira Gullar em uma série de brilhantes artigos escritos entre 1959 e 1960, Portinari era colocado pela crítica acima de qualquer discussão teórica ou estética. Nomes como o de Alfredo Volpi e Milton Da Costa eram praticamente ignorados naquele momento e os artistas mais jovens sentiam-se ainda inseguros em seguir novos caminhos estéticos que não os que Portinari traçara para a arte pictórica brasileira. Porém o ídolo da intelectualidade stalinista precisava ser "derrubado" para que novos caminhos se abrissem, e o jovem trotskista Mário Pedrosa sentiu visceralmente esta necessidade quando finalmente decidiu-se a realizar o gesto inevitável que remodelaria inteiramente o ambiente das vanguardas modernistas no Brasil. Seu texto crítico sobre "O Painel Tiradentes" (Obra de Portinari de 1949) produziu um verdadeiro terremoto no ambiente da esquerda brasileira, ao polemizar frontalmente como a escola do realismo socialista.