O livro "Retrospectiva política dos 100 dias do governo
Lula - Uma análise marxista sobre o caráter burguês da Frente Popular no Brasil”
analisa os primeiros 100 dias da gestão do PT em 2003. A frente popular no
Brasil constituiu um governo burguês de colaboração de classes devido a
participação orgânica das entidades operárias e camponesas, como a CUT e o MST,
no novo governo e não porque o PT é um partido operário-burguês ou mesmo
operário. Quando Trotsky referia-se aos partidos operários-burgueses, estava
falando dos partidos sociais-democratas e comunistas, que mantinham ainda, nos
anos 30, seu caráter contraditório, ou seja, nasceram do movimento operário,
adotaram inicialmente programas revolucionários, mas deixaram de representar os
interesses da classe operária em função de capitulações históricas. Na atual
etapa da luta de classes, já não existem mais os partidos operários-burgueses,
estes passaram definitivamente para o campo da ordem capitalista desde pelo
menos a queda do Muro de Berlim e a destruição contra-revolucionária da URSS. “Se
o governo Lula não se assemelha a Allende, o que dizer das diferenças com
Kerensky, que ascendeu ao governo russo através da Revolução de Fevereiro de
1917, na qualidade de representante dos soviets, ainda controlados pelos
mencheviques? Se o governo de Lula corresponde a uma "frente popular
atípica" como utilizar a mesma orientação voltada a governos paridos de
revoluções (Kerensky) ou de processos eleitorais com profundos choques com o
imperialismo (Allende)?” debate o livro lançado em 2003 pela Editora Nova
Antídoto e publicado agora novamente, dez anos depois.
